Um ritual mágico de gratidão aos amigos

Muito cuidado com os pensamentos pois podem se tornar palavras, rege um velho ditado. E cuidado com as palavras, pois podem virar atos, que se consolidam em hábitos, que se repetidos muitas vezes se transformam em rituais. E, por fim, muito cuidado com os rituais pois tendem a virar realidade.

Isto posto, conclui-se que devemos tomar cuidado com nossos pensamentos pois eles acabam se materializando, criando novas realidades para nossas vidas, caminhos que podem ser longos – por vezes de uma vida inteira. O velho ditado parte do pressuposto de que temos pensamentos negativos. Por isso começa com um alerta.

Ocorre que nossa mente costuma alternar bons e maus pensamentos, luz e trevas, alguns mais luz e otimismo; outros depressão, mágoas e pessimismo – dependendo do momento e do coração de cada um.

Seria muito bom que só conseguíssemos emitir bons pensamentos, pois assim se tornarão boas palavras, que viram atos, que se consolidam em hábitos, que repetidos muitas vezes se transformam em rituais – até que esses rituais materializassem realidades positivas dentro de caminhos do bem.

Já lá se vão bem uns 15 anos (ou mais) que criei um ritual pessoal de passagem de ano, no qual ao final da tarde do dia 31 de dezembro me posto sozinho em algum lugar aprazível para ter bons pensamentos. Sempre acendo um bom charuto.

Primeiro reflito sobre o ano que passou, lembrando-me dos bons e maus momentos. E principalmente das pessoas que de alguma forma me foram importantes. Os maus momentos são queimados numa baforada. Imagino a situação negativa na ponta da brasa, sendo queimada. Os bons amigos são lembrados com outra baforada. Nesse caso, imagino cada um deles sorrindo por conta de uma vitória particular, de algo diferente que desejo para cada um.

E essa é a parte mais importante do ritual. Imaginar algo bom para cada um em gratidão ao que se passou. E uma baforada para cada pensamento positivo – nesse caso, imagino a fumaça subindo rumo ao Universo que tudo vê e tudo provê.

Ao fim e ao cabo, abro meu Livro Negro dos Desejos e passo um bom tempo escrevendo reflexões sobre minha vida e os novos objetivos e metas para o ano que está entrando. O Livro Negro é um caderno comum de atas, desses de capa dura preta e papel pautado que se compra nas papelarias. Ao escrever os desejos, de forma clara, traçando objetivos e metas, ajuda muito a materializá-los.

Sempre leio com atenção, para avalia o sucesso, os objetivos do ano anterior e avaliá-los. Está sempre lá: “Emagrecer até X ou Y quilos”. E todo ano que passa a balança só aumenta. Resultado do progresso na vida. O falecido colunista social brasiliense Emivaldo Mimi Cruz, quando questionado sobre sua barriga imensa, cada vez maior, respondia: “É tudo caviar Beluga e campagne francês”. Tem a ver – espero eu.

Contudo, extraindo-se a questão da meta de perder peso, 80% das metas escritas (ou mais) costumam se materializar. Quando não se materializam no ano planejado, acabam virando realidade no ano subseqüente.

Neste Réveillon dei minhas baforadas na varanda de um flat em São Paulo emprestado pelo meu amigo Helito Bastos. Baforei em gratidão a muitos amigos. O ano de 2008 foi particularmente doloroso para mim, confesso. Comecei 2008 decidindo mudar de vida, fazer uma transmutação radical para vivenciar no cotidiano profissional aquilo que designei “Caminhos do Bem” – o de ajudar a criar novos canais de comunicação que ajudem a construir um mundo melhor. Paradigmas precisam ser quebrados, armaduras tiradas, velhas conquistas deixadas para trás. É o se livrar do velho para abrir espaço para o novo.

Ocorre que ao começar a efetivar aqueles desejos, quando comecei a materializar a completa transmutação, passei a enfrentar situações profissionais difíceis e provações emocionais terríveis. Chama-se isso de dores de um parto. Ai, como dói parir. Mas quanta alegria depois que a criança nasce!

A melhor parte dessas provações foi descobrir quem são os amigos. Tive agradáveis surpresas. Tive a sorte louca de constatar na prática aquilo que eu já esperava e sabia, que minha amada e companheira é de fato uma grande amiga, cúmplice, conivente.  Dei boas baforadas por ela, imaginando-a sorrindo, realizando cada um de seus desejos – os que conheço. Também baforei por meus pais, Jonas e Margarida, sempre presentes, jogando ao Universo os principais desejos de cada um. E para minha advogada Juliana Bisol, que enfrentou comigo, ao meu lado, sem vacilar um minuto sequer, a maior provação do ano.

A melhor parte de uma nova jornada é descobrir os amigos. Alguns, por conta de seus próprios momentos, se colocam a seu lado na luta. Compram as novas idéias, se engajam. Acionados, entram de prontidão. Se você pede, eles dão. A eles sou muito grato, devo muito, muito obrigado a cada um de vocês – abaixo citados.

Outros emprestam o coração, emitem palavras de incentivo, por vezes passam uma mensagem carinhosa por email, ou telefonam para saber como você está, para dizer que leu um artigo ou crônica que cometi, atos singelos para elas, mas que por alguma razão me vieram à lembrança durante o ritual dos bons pensamentos da passagem do ano.

Imaginando algo positivo e diferente para cada um, desta vez baforei por mais de 30 amigos… A cada um de vocês, meus caros amigos, minha gratidão pelo ano que passou – e torcendo para que cada um de vocês, por diferentes razões, continuem presentes na minha vida ao longo de 2009, 2010, 2011… Feliz Ano Novo.

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