Browsing articles tagged with " Teoria da História"
jul 31, 2012

Castoriadis, o Imaginário e as teorias marxistas

Um dos pontos interessantes do pensamento de Cornelius Castoriadis, um dos mais reconhecidos filósofos dos estudos do Imaginário e das Representações na Teoria da História, é quando ele contrapõe a análise do imaginário à teoria marxista. Ele lembra que, a despeito do que escreveram os teóricos marxistas sobre a história e a evolução inexorável da humanidade para a igualdade e o socialismo universal, o imaginário das nações se revela “mais sólido do que todas as realidades, como mostras duas guerras mundiais e a sobrevivência dos nacionalistas”. Ele argumenta:

“Os marxistas atuais, que acreditam eliminar tudo isso dizendo simplesmente, ‘o nacionalismo é uma mistificação’, evidentemente se auto-mistificam. Que o nacionalismo seja uma mistificação, não resta dúvida. Que uma mistificação tenha efeitos tão maciçamente e terrivelmente reais, que ela se mostre muito mais forte do que todas as forças ‘reais’ (inclusive o simples instinto de sobrevivência) que ‘deveriam’ ter impelido há muito tempo os proletariados a uma confraternização, eis o problema. Dizer – ‘prova de que o nacionalismo era uma simples mistificação, por conseguinte alguma coisa de irreal, é que ele se dissolverá no dia da revolução mundial’, não é somente cantar vitória antes da hora, é dizer: ‘Vocês, homens que viveram de 1900 a 1965 e quem sabe até quando ainda, e vocês os milhões de mortos de duas guerras, e todos os outros que sofreram com isso e são solidários – todos vocês, vocês inexistem, vocês sempre inexistiram aos olhos da verdadeira história; tudo o que vocês viveram foram alucinações, pobres sonhos de sombras, não era a história. A verdadeira história era esse virtual invisível que será e que, traiçoeiramente, preparava o fim de vossas ilusões’. Esse discurso é incoerente, porque nega a realidade da história da qual participa e porque ele convoca por meio irreais esses homens irreais a fazerem uma revolução real”.



 

set 1, 2011

Ah, se eu pudesse escrever novamente…

Análise autocrítica sobre o livro “A Lei da Selva”, de minha autoria, sob a luz de novas teorias e autores da História Cultural (Monografia para a disciplina Teoria e Metodologia, do Doutorado em História Cultural da UnB; ministrado pela profª Cléria Botêlho da Costa)

Eu com a profª Cléria Botêlho da Costa, no lançamento do livro

APRESENTAÇÃO

O livro escolhido para análise é A Lei da Selva – Estratégias, Imaginário e Discurso dos Militares sobre a Guerrilha do Araguaia[1], de minha própria autoria. Razão para a escolha é fazer uma autocrítica da pesquisa, a partir dos novos autores e novas leituras assimiladas nesta disciplina. Esclareço ainda que o objeto escolhido para a pesquisa de doutorado é similar ao da obra — produto de dissertação de mestrado — a Guerrilha do Araguaia. Pertinente, portanto, fazer uma revisão acadêmica da pesquisa anterior, que servirá de ponto de partida da atual pesquisa, em andamento.

Acredito que na obra em questão eu tenha delineado claramente o objeto de pesquisa e análise, ao esclarecer, já na Introdução:

“A presente pesquisa tem o propósito de trazer à luz elementos com os quais se possa vislumbrar o imaginário dos militares sobre a participação de nossas Forças Armadas no combate à insurreição do Araguaia. Fique claro, portanto, que o objetivo não é analisar o episódio sob o ponto de vista dos guerrilheiros, tampouco dos moradores da região. Muito menos ainda existe a pretensão de reconstruir a “história definitiva” da guerrilha. Trata-se, aqui, de relatar o significado do conflito sob a óptica de um dos lados envolvidos, os militares brasileiros que participaram da luta. A finalidade é somente e tão-somente pesquisar e analisar o significado do conflito para os militares, assim como interpretar seus sistemas de representações à luz de um quadro teórico e dos valores da época.”[2] Continue reading »

abr 18, 2010

A Ordem e o Progresso de Comte dentro da Teoria da História

Anotações sobre a vida, a obra e a Filosofia da História de Augusto Comte, inspirador maior do imaginário desenvolvimentista de quase todos os governoda da América Latina até nossos tempos pós-modernos (Para a disciplina Teoria da História, ministrada pelo professor Fernando Catroga, do Instituto de História das Ideias da Universidade de Coimbra. Por José  de Sousa Pais, aluno do doutorado em História, da Universidade de Coimbra

 

Augusto Comte: Filosofia da História segundo a qual a humanidade “evolui” rumo à Sociedade dos Sábios. Ideias adotadas por quase todos os governos da América Latina desde a virada do Século 19 para o 20. Incluindo o governo da presidente Dilma

QUEM FOI AUGUSTO CONTENasceu em Montpellier em  1798 e morreu em  Paris em 1857), tendo sido um filósofo de  referência. Teve formação na área da matemática, mas muito influenciado pelo Conde Henri de Saint-Simon (1760-1825), expoente do socialismo utópico, de quem foi secretário e colaborador entre os seus 19 e os 36 anos. Continue reading »

mai 14, 2009

O diário romântico do capitão Lamarca, em diálogo com a História Cultural

“O CRONISTA É O NARRADOR DA HISTÓRIA”

(Walter Benjamin)

Há um fragmento de história esquecido no limbo. É um diário. Ou melhor, é um conjunto de cartas de amor organizadas na forma de um diário. Cometido pela pena do capitão Carlos Lamarca, um dos ícones da revolução brasileira, e endereçado à sua amada Iava Iavelberg, também guerrilheira, acabou relegado aos escaninhos dos arquivos secretos militares. Lamarca amava Iara, que também o amava, e acabaram separados pelas vicissitudes daqueles tempos. Ele, exilado no sertão baiano. Ela, escondida em Salvador. A paixão do capitão pela guerrilheira virou lenda entre a intelectualidade pátria, nossa melhor versão de Tristão & Isolda, Lancelot & Guinevere, Garibaldi & Anita; a velha história do valente guerreiro lutando contra ogros e dragões para provar seu amor pela musa inspiradora. Certo dia, quente e seco, chegou ao capitão a notícia de que sua musa estava morando com outro companheiro de armas. Rua reação foi escrever. Foram 41 dias naquele deserto desnudando sua alma. Tal qual Horácio no exílio, de dia expunha seus ideais políticos, idéias pessoais, sonhos, temores e amores – suas paixões. De noite era só pesadelo: torturava-se de ciúmes. Registrava tudo. O diário jamais chegou à destinatária. Ela morreu antes. Ele, dias depois, tal qual Romeu, assim que soube que perdera de vez a amada. Esses fatos ocorreram em 1971.

Certa feita, em 1974, os militares chegaram a divulgar discretamente o teor daquele diário. Queriam usá-lo como peça de propaganda política, tentavam expor a fragilidade emocional desse capitão-guerrilheiro, que desertou de armas em punho para combater a ditadura – mas acabou perdendo-se numa paixão. Ora, ninguém prestou muita atenção na peça ouem seu conteúdo. Nemmilitantes da revolução, nem jornalistas. Muito menos historiadores, naquele tempo, hegemonicamente marxistas e estruturalistas. Quase quatro décadas depois de escrito, o diário ainda se encontra no limbo da História. Curiosamente, é uma das peças mais ricas para analisar e compreender aquela época que Isaiah Berlin definiu como a “mais terrível da história”. Continue reading »

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