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fev 9, 2003

A retórica revolucionária de algum lugar das selvas amazônicas

Os Comunicados das Forças Guerrilheiras do Araguaia como representações do sistema de valores expressos pela retórica radical dos Anos 60 e 70 no Brasil (Monografia produzida para a disciplina “Identidade, Memória, Texto e Narrativa”; Mestrado em História, Universidade de Brasília)

1. APRESENTAÇÃO

Este trabalho é resultado de reflexões acadêmicas realizadas no Curso de Pós-Graduação em História da Universidade de Brasília, dentro do seminário ministrado pelos professores Sônia Lacerda e Jaime de Almeida, realizado entre novembro de 2002 e fevereiro de 2003, que abordou o tema “Identidade, Memória, Texto e Narrativa”. A temática aqui escolhida, a Guerrilha do Araguaia, é objeto dos estudos que venho desenvolvendo no curso de pós-graduação supracitado, dentro da linha de pesquisa “História Cultural”. Trata-se de uma pesquisa essencialmente empírica, que tem por propósito trazer à luz uma série de documentos das Forças Armadas sobre a guerrilha, boa parte inéditos, para conseqüente análise historiográfica do discurso militar sobre o episódio.

Nesse sentido, houve um esforço de entrecruzar neste trabalho um recorte do meu objeto de pesquisa, a Guerrilha do Araguaia, com parte das fontes de análise historiográficas analisadas no seminário, notadamente as que abordam a questão do discurso e da retórica das revoluções armadas. As reflexões aqui tratadas serão oportunamente incorporadas à dissertação de mestrado que estou desenvolvendo.

Faz-se mister esclarecer, preliminarmente, a carência de publicações com relatos de fontes primárias sobre a Guerrilha do Araguaia, especialmente sobre a terceira fase, entre outubro de 1973 e julho de 1974, quando teriam morrido 47 guerrilheiros –para somente dois sobreviventes conhecidos[1]. Esclareça-se, ainda, que entre dezembro de 1997 e junho de 2001, este pesquisador realizou entrevistas orais com 27 militares que participaram da Guerrilha do Araguaia, incluindo os oficiais de mais alta patente que estiveram presentes no teatro de operações. Essas entrevistas resultaram na obtenção de uma série de outros documentos sobre o episódio, produzidos tanto pelas Forças Armadas quanto pelas Forças Guerrilheiras. Continue reading »

mai 26, 2002

A nossa revolução cordial

Leituras sobre o conceito do “homem cordial”, de Sérgio Buarque de Holanda, em diálogo com o diário amoroso que o capitão Carlos Lamarca escreveu para Iara Iavelberg (Monografia para disciplina História e Historiografia, do Mestrado em História da Universidade de Brasilia, Profºs Drs. Diva do Couto Muniz & Marcos Magalhães Aguiar)

Lamarca, em 1965, ainda no Exército: exemplo acabado do “homem cordial” do mestre Sérgio

 

Iara Iavelberg: despertando a cordialidade do capitão, mas dentro do conceito opoosto ao do mestre Sérgio

1 – Introdução 

Iara tinha o rosto lindo, a cabeça brilhante e o coração revolucionário. Já era a musa da esquerda latino-americana quando um capitão do Exército brasileiro, Carlos Lamarca, desertou de armas em punho para se tornar comandante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)[1]. Logo tombaria de encantos por Iara. A paixão do capitão pela guerrilheira virou lenda entre a intelectualidade pátria, nossa melhor versão de Tristão & Isolda, Lancelot & Guinevere, Garibaldi & Anita, a velha história do bravo guerreiro lutando contra ogros e dragões para provar seu amor pela musa.

Em 2002 faz 30 anos que ambos tombaram, Lamarca & Iara, nas mãos dos militares. Morreram na Bahia, em locais e datas distintas[2]. Exatamente por essa razão, três décadas redondas de distância, optamos por transformar a história desses dois personagens em objeto central de um ensaio a respeito do imaginário dos militares e dos revolucionários brasileiros. O ponto de partida é o diário que Carlos Lamarca escreveu em seu exílio na caatinga baiana entre 8 de julho e 16 de agosto de 1971[3].

Trata-se de um documento pouco conhecido pelos historiadores, apesar de sua riqueza e singularidade dentre aqueles já produzidos durante os anos de chumbo da ditadura militar no Brasil –de 1964 e 1979. Esse diário, na verdade, se parece muito mais com uma longuíssima lírica romântica do que com registros racionais de um bom revolucionário. Há trechos marxistas-leninistas, sim, mas o ponto forte desse documento, em nossa visão, são as declarações de amor que revelam o imaginário do nosso mais conhecido aventureiro:

“Neguinha, a fôrça da coletivização é espantosa, fico a imaginar uma fazenda coletiva – e me babo só de pensar! Você está presente nêsse particularmente você é para mim, antes de tudo uma necessidade: revolucionária, educadora, existencial, total”[4]. Continue reading »

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