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set 27, 2013

O Espírito da Liberdade

Os amigos de rua, todos eles, queiram ser o Pelé. Mas eu só jovaga com a camisa 5. Era o Clodoaldo quem me inspirava. Ninguém conseguia entender por que eu gostava de um jogador tão tímido e discreto. Mas jogava limpo. Parava a bola no chão, levantava a cabeça e olhava sereno em direção ao horizonte. Por vezes apontava o dedo em alguma direção. Só rececentemente, quando tive o privilégio de observar os transatlânticos a partir da Ponta da Praia, na cidade de Santos,  consegui finalmente compreender que Clodoaldo jogava tomado por aquilo que Hegel chamaria de Espírito da Liberdade (Esta crônica foi originalmente publicada pelo jornal A Tribuna, de Santos, no Caderno Especial pelo aniversário da cidade, a 26 de janeiro de 2012)

1970, com minha mãe Margarida e meus irmãos: quando eu só pensava em jogar bola exatamente igual ao Clodoaldo

Toda criança tem um super-herói do imaginário a despertar nossos mais profundos valores, Batman, Aranha, Superman… e um ídolo dos esportes a inspirar nos duros caminhos da vida. Quase todos meus amigos queriam ser o Pelé e vestir a camisa 10. Depois vieram as inspirações Zico, Airton, Ronaldinho. Hoje é o Neymar. Mas eu era o Clodoaldo; só queria usar a camisa 5. Ninguém entendia por que eu gostava daquele tímido e discreto jogador. Nem eu.

Passei a infância e juventude oscilando entre as praias do Rio de Janeiro e o cerrado de Brasília. Acabei virando Flamengo. Mas a camisa 5 permaneceu a predileta; e a imagem do Clodoaldo jogando continuou no meu imaginário. Lembro-me que ele jogava limpo. Parava a bola no chão, levantava a cabeça e olhava sereno em direção ao horizonte. Depois passava a bola, sempre suave. Por vezes apontava o dedo em alguma direção.

Passaram-se muitos anos até que me reencontrasse com Santos. Jovem profissional, migrei sozinho para São Paulo em meados dos anos 80. A cidade era dura, árida, implacável! Muito mais do que hoje. Naqueles tempos não havia internet ou celular, nem mesmo linha disponível de telefone fixo. Passei mais de seis meses em completa solidão de final de semana. Até que num certo domingo de sol dois colegas cariocas buzinaram debaixo da minha janela.

“Vamos almoçar em Santos?” – gritou um deles. Continue reading »

ago 2, 2012

Na encruzilhada entre o passado e o futuro

Confesso a tragédia existencial que vivencio, entre manter a herança do imaginário Iluminista, com a tendência atávica pela visão idealista do presente e pela busca incessante por lançar luzes e respostas para futuro. Ou aderir de vez aos cânones da Nova História e ao multiculturalismo panteísta, que busca compreender esse mundo fragmentado e transgêneros da nossa pós-modernidade? O fato é que jamais perdi a Esperança no Homem, na Sociedade, na Civilização. E enquanto não decido entre o passado e o futuro, reafirmo minha identificação especial pela Filosofia da História de Hegel, segundo a qual, em síntese, a História da Civilização é a da busca incessante do homem pela Liberdade

Na encruzilhada a Meta-Históiria com a Nova História

Por Hugo Studart

Em sua obra “O Método – Volume 3”[1], Edgar Morin confessa que vivenciou, ao longo da construção do trabalho, “uma tríplice tragédia”. Primeiro, a tragédia bibliográfica, na qual, em cada domínio que se propunha caminhar, via-se diante do crescimento exponencial dos novos conhecimentos e referências. Segundo, a tragédia da complexidade dos temas. Por fim, a tragédia de visar à totalização, à unificação, à síntese. Mas terminou por chegar à “consciência absoluta e irremediável do caráter inacabável de todo conhecimento, de todo pensamento e de toda a obra”[2]. Concluiu, ainda, que sua tríplice tragédia seria a tragédia de todo saber moderno.

Aproveito a oportunidade para confessar, também, que atravesso neste momento uma experiência similar à de Morin. Uma tríplice tragédia neste momento em que busco concluir meu doutorado. Encontro-me diante de quase quatro metros de documentos alinhados, livros e textos teóricos, muitos lidos, compreendidos e marcados; outros que pela complexidade anunciada se postam diante dos meus olhos como espectros em uma noite escura. Sinto-me, por vezes, como o mítico Teseu diante de seu Labirinto, precisando segurar os amores e temores, vestir o elmo da racionalidade e enfrentar o Minotauro. Ou ser devorado. Continue reading »

jul 31, 2012

Hegel, segundo Gombrich, e o Espírito do Tempo da luta armada brasileira

Eis o Espírito da Liberdade

A História Cultural foi toda erigida sobre os alicerces hegelianos, lembra o historiador E.H. Gombrich[1]. E para Hegel, a história do universo era a história de Deus a criar-se a si próprio e a história da humanidade era, no mesmo sentido, a contínua encarnação do espírito. Hegel imagina o desenvolvimento do espírito como um processo inevitável e imagina-o encarnado em sucessivos espíritos nacionais. Haveria, portanto, o espírito do brasileiro; haveria, igualmente, o espírito revolucionário dos anos 60 e 70 (objeto dos meus estudos historiográficos), o espírito dos guerrilheiros do Araguaia, por exemplo, e por fim, o espírito da repressão militar daquele tempo. Prosseguindo, ainda segundo Hegel, o objetivo mais elevado da história da humanidade seria o seu desenvolvimento em direção ao espírito da liberdade. Explica Gombrich:

 “Toda gente sabe que Hegel pretendia erguer esses alicerces sobre um sistema metafísico que dizia ter construído a partir das críticas feitas por Kant à metafísica. No entanto, o que é mais relevante no contexto presente é o regresso de Hegel às tradições da teologia. A tua teologia teria de ser, obviamente, classificada como herética, pois não atende ao dogma cristão da criação como evento único e ao da encarnação como uma ocorrência igualmente única no tempo”[2].

É nesse sentido, interpreta Gombrich, que o absoluto não se discute. Isso se aplica tanto ao passado como ao presente. Um historiador pode observar os sinais do tempo, Continue reading »

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