Browsing articles tagged with " Guerrilha do Araguaia; Memória e esquecimento; Direitos Humanos"
ago 29, 2012

A memória, o perdão e o esquecimento –ou a dor de sentir a presença da ausência

 Uma discussão sobre o paradoxo entre a Lei da Anistia e a Comissão da Verdade, em diálogo com os pensamentos de Paul Ricoeur e Hannah Arendt

O passado nos assombra, diz Arendt

Por Hugo Studart

O episódio a ser analisado neste ensaio, a Guerrilha do Araguaia, trás a oportunidade de se analisar e questionar as dimensões do perdão às violações de Direitos Humanos cometidos pelos militares no Araguaia, assim como sobre o alcance a a interpretação da Lei de Anistia, promulgada em 1979. A questão comporta multiplos aspectos de ordem jurídica, ética, política, institucional, teológica, psicológica, filosófica. Entretanto, a proposta é analisá-la sob a dimensão de duas questões essenciais no Brasil do tempo presente: a memória e o esquecimento.

Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Nietzsche – são muitas as contribuições dos pensadores clássicos sobre memória e História, esquecimento e perdão. Faz-se necessário, obviamente, revisitá-los, cada um em seu próprio momento da discussão. Mas o objetivo da pesquisa é abordar o tema com ênfase especial nos pensamentos de Paul Ricoeur e de Hannah Arendt – buscando apoio em Jacques LeGoff e Jacques Derrida, entre outros.

Ricoeur enfrentou ao longo de toda a juventude a dor da ausência do pai. Ele nasceu em 1913. Um ano depois seu pai seguiria para uma daquelas trincheiras da Primeira Guerra. Aguardou-o com ansiedade até o final os conflitos. Muitos pais retornariam com vida. Ou em caixões. Mas Ricoeur-pai permaneceria ausente. Desaparecera exatamente no Dia da Vitória. Assim, o sentimento de ausência tornou-se a maior presença em sua vida. Os restos mortais só seriam encontrados em 1932. Ricoeur forjou todo o seu pensamento uma constante contra a violência. “Meu pai morreu por nada”, escreveria mais tarde.

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ago 23, 2012

Em busca das memórias perdidas

O acessar aos arquivos secretos da ditadura e o desvendar das lembranças dos sobreviventes da Guerrilha do Araguaia (Publicado originalmente na revista acadêmica “Em Tempo de História”, da Universidade de Brasilia)

As ex-guerrilheiras Lúcia Regina e Regilena Carvalho, em visita ao Araguaia, quatro décadas após a guerrilha

 

Resumo:

 Comunicação de pesquisa que busca detalhar as descobertas e a abordagem metodológica da investigação historiográfica em curso sobre a guerrilha rural brasileira (1966-1974), através do uso combinado de fontes escritas remanescentes (diários e cartas dos guerrilheiros, documentos políticos do partido e documentos militares) e das fontes orais sobreviventes (guerrilheiros, camponeses e militares), procurando diálogo teórico com Walter Benjamin, Paul Ricoeur e Hannah Arendt a partir de suas reflexões sobre o conceito de memória, assim como em questões como memória e esquecimento, anistia e perdão.

Abstract:

Communication of research that aims to detail the discoveries and the methodology of historiographical research in progress on the Brazilian rural guerrilla (1966-1974), through the combined use of remaining written sources (diaries and letters of the insurgents, political documents of the party and military documents) and survivors of oral sources (guerrillas, peasants and soldiers), seeking for theoretical dialogue with Walter Benjamin, Paul Ricoeur and Hannah Arendt from her reflections on the concept of memory, as well as on questions such as memory and forgetfulness, amnesty and pardon.

Introdução

A guerrilha rural brasileira guarda um grande paradoxo. Foi uma das insurreições armadas mais representativas da luta revolucionária no Brasil; o conflito interno com a maior mobilização de contingentes das Forças Armadas desde a Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, permanece como um dos episódios mais obscuros da nossa história. Teve início em 1966, quando um pequeno grupo de militantes do recém-fundado Partido Comunista do Brasil, PC do B, jovens universitários voluntaristas em quase totalidade, sem armas ou provisões, chegou à região do rio Araguaia, sul do Estado do Pará, na selva Amazônica, a fim de preparar um movimento armado revolucionário, de cunho marxista-leninista, que pretendia partir do campo para a conquista das cidades. Continue reading »

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