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ago 30, 2012

Da série: os limites entre o jornalista e a fonte – 3

Celso Amorim faz o tipo simpático e suave. É extremamente culto, mas sem pedantismo. Conheço-o há quase 30 anos. Foi meu professor no curso de Ciência Política na UnB. Depois foi minha melhor fonte quando ele era assessor internacional do Ministério da Ciência e Tecnologia e eu, um mero foca, cobria a guerra comercial do Brasil com os EUA por conta da reserva de mercado em informática (lembram-se?).

Quando virou chanceler do governo Lula, aproximei-me muito dele. Recebeu-me todas as vezes que precisei. Atendia o telefone em qualquer parte do mundo. Agora, como ministro da Defesa de Dilma, continuo podendo usufruir desse acesso especial à fonte.

Obviamente, acabei criando simpatia pessoal por Amorim. Contudo, acredito que tenha conseguido separar a empatia pessoal dos deveres profissionais. Escrevi e publiquei dezenas de matérias ou artigos criticando a gestão de Amorim no Itamaraty. Alguns bastante contundentes, em especial sua política de aproximação carnal com os BRIC’s e com os regimes ditatoriais do Oriente Médio e América Latina . Ele, por sua vez, sempre conseguiu separar o jornalista do ex-aluno. Em geral escalava um assessor para reclamar com o jornalista. Por vezes ele mesmo reclamava. Mas jamais deixou de tratar o ex-aluno com deferência especial.

ago 30, 2012

Da série: os limites entre o jornalista e a fonte – 2

Guido Mantega faz o tipo tímido e introspectivo. É afável. Mas não é o tipo de autoridade que costume manter relações pessoais com jornalistas. Ao contrário, procura manter distância regulamentar. O “fontismo” em Brasília é a regra. Jornalistas e fontes acabam entabulando relações pessoais acima do recomendável, até mesmo relações sexuais.

Jornalistas, historiadores, sociólogos, advogados, etc –somos todos seres humanos e cidadãos. Como médicos se emocionam com alguns pacientes ou professores têm predileção por alguns alunos, é compreensível que acabemos criando simpatias ou antipatias por algumas fontes. Assim, posso até visitar na cadeia os simpáticos João Paulo Cunha e Delúbio Soares. Como também tenho o direito de me recusar a apertar a mão de certas figuras. Mas simpatias e antipatias pessoais devem ser exceção. A racionalidade profissional precisa ser a regra.

No caso de Guido Mantega, sempre mantive com ele uma relação meramente profissional, desde os tempos em que era um assessor econômico do PT. Acredito que todos os textos que já escrevi sobre ele e seu trabalho, reportagens ou artigos, tenham sido positivos. Mas foram frutos de avaliações racionais. Subjetivas, como tudo que se refere às ciências humanas, mas dentro do esquadro da racionalidade.

Quanto a esta foto, recebi-a recentemente de presente do jornalista Ramiro Alves (o calvo, de pé). Ele era assessor de imprensa do Ministério da Fazenda na época dessa entrevista. Ao lado, de bigodes, o jornalista Ricardo Moraes.

ago 30, 2012

Quais os limites entre um profissional e a fonte de informação?

 

Residência oficial da Presidência da Câmara: João Paulo Cunha com os jornalistas Hugo Studart e Carla Spegiorin

É curioso eu ter encontrado essa foto antiga, de 2005, no exato dia em que o deputado João Paulo Cunha, do PT, teve a certeza de que será condenado pelo Supremo no processo do mensalão. João Paulo era presidente da Câmara dos Deputados. Eu era editor da revista IstoÉ Dinheiro; estava nesse café-entrevista com a repórter Carla Spegiorin.    João Paulo estava, nessa época, em plena fase de pegar dinheiro com Marcos Valério. Mas ainda não se sabia disso; o mensalão não havia estourado.

Sujeito simpático, esse João Paulo. Afável, conversa boa. Os petistas eram, em sua maioria, a personificação da arrogância. João Paulo, a encarnação da simplicidade. Impossível não gostar dele. Também era uma boa fonte de informação. Tinha bons bastidores a revelar.

Há politicos e autoridades os quais não quero como fonte. Recuso-me até mesmo a apertar a mão. O mais grave é que orgulho-me dessa inflebilidade  –algo não recomendável para um profissional da informação. A maior parte das autoridades , contudo, consigo conviver numa boa, mesmo sabendo que nosso sistema político alimenta-se de caixa 2. Eu conversava tranquilo com o saudoso PC Farias. Um dos meus orgulhos foi ter “descoberto” PC, ainda nas primeiras semanas do governo Collor. Continue reading »

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