A retórica revolucionária de algum lugar das selvas amazônicas

Os Comunicados das Forças Guerrilheiras do Araguaia como representações do sistema de valores expressos pela retórica radical dos Anos 60 e 70 no Brasil (Monografia produzida para a disciplina “Identidade, Memória, Texto e Narrativa”; Mestrado em História, Universidade de Brasília)

1. APRESENTAÇÃO

Este trabalho é resultado de reflexões acadêmicas realizadas no Curso de Pós-Graduação em História da Universidade de Brasília, dentro do seminário ministrado pelos professores Sônia Lacerda e Jaime de Almeida, realizado entre novembro de 2002 e fevereiro de 2003, que abordou o tema “Identidade, Memória, Texto e Narrativa”. A temática aqui escolhida, a Guerrilha do Araguaia, é objeto dos estudos que venho desenvolvendo no curso de pós-graduação supracitado, dentro da linha de pesquisa “História Cultural”. Trata-se de uma pesquisa essencialmente empírica, que tem por propósito trazer à luz uma série de documentos das Forças Armadas sobre a guerrilha, boa parte inéditos, para conseqüente análise historiográfica do discurso militar sobre o episódio.

Nesse sentido, houve um esforço de entrecruzar neste trabalho um recorte do meu objeto de pesquisa, a Guerrilha do Araguaia, com parte das fontes de análise historiográficas analisadas no seminário, notadamente as que abordam a questão do discurso e da retórica das revoluções armadas. As reflexões aqui tratadas serão oportunamente incorporadas à dissertação de mestrado que estou desenvolvendo.

Faz-se mister esclarecer, preliminarmente, a carência de publicações com relatos de fontes primárias sobre a Guerrilha do Araguaia, especialmente sobre a terceira fase, entre outubro de 1973 e julho de 1974, quando teriam morrido 47 guerrilheiros –para somente dois sobreviventes conhecidos[1]. Esclareça-se, ainda, que entre dezembro de 1997 e junho de 2001, este pesquisador realizou entrevistas orais com 27 militares que participaram da Guerrilha do Araguaia, incluindo os oficiais de mais alta patente que estiveram presentes no teatro de operações. Essas entrevistas resultaram na obtenção de uma série de outros documentos sobre o episódio, produzidos tanto pelas Forças Armadas quanto pelas Forças Guerrilheiras.

Para compor este trabalho, optei pela divulgação antecipada de alguns documentos produzidos pelos militantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B) durante o ano de 1972, quando as Forças Armadas brasileiras deram início às operações militares que tinham por objetivo combater as Forças Guerrilheiras. Chamam-se essas incursões iniciais de Primeira Fase, quando as Forças Armadas promoveram operações basicamente com tropas de conscritos[2] e logo depois recuaram. Na seqüência, avaliando que teriam sido vitoriosos no campo de batalha, os guerrilheiros deixaram a mais absoluta clandestinidade e começaram a emitir “Comunicados ao Povo” e a estabelecer contatos com pessoas de fora da região. Quase totalidade das cópias desses documentos, impressos em papel mimeógrafo e distribuídos aos moradores da região, foram apreendidas na casião pelas Forças Armadas. Jamais chegaram a ser divulgados nos livros ou reportagens sobre a Guerrilha do Araguaia que vêm sendo publicados desde a Anistia, em 1979.

Este trabalho, portanto, está centrado na análise dos seguintes documentos:

  1. Comunicado nº 1 das Forças Guerrilheiras do Araguaia, de 25 de maio de 1972;
  2. Carta do guerrilheiro Oswaldo Orlando Costa a algum chefe do partido em São Paulo, relatando os primeiros combates com as Forças Armadas e pedindo ajuda em dinheiro e suprimentos, de 15 de julho de 1972;
  3. Carta dos guerrilheiros ao bispo de Marabá, dom Estevão Cardoso Avelar, de 20 de julho de 1972;
  4. Comunicado nº 2 das Forças Guerrilheiras do Araguaia, de 20 de outubro de 1972;
  5. “Uma Heroína do Povo”, carta do Comando das Forças Guerrilheiras do Araguaia distribuída entre os moradores da região relatando as circunstâncias da morte da guerrilheira Helenira Resende de Souza Nazaré, de 20 de outubro de 1972;
  6. Comunicado (sem nº) das Forças Guerrilheiras do Araguaia explicando o julgamento e execução pelo Tribunal Revolucionário do pistoleiro Pedro Mineiro, de fins de 1972 (sem data);
  7. “Bônus da Revolução”, pedido de arrecadação de fundos distribuídos entre os moradores da região, sem data;

 

2. DESENVOLVIMENTO

“Em algum lugar da Amazônia, 25 de maio de 1972”. Assim termina o Comunicado nº 1 do Movimento de Libertação do Povo (MLP), Comando das Forças Guerrilheiras do Araguaia. “De algum lugar das selvas amazônicas”, aponta o Comunicado nº 2. “De algum lugar das matas amazônicas”, informam os signatários de uma carta ao bispo de Marabá[3], outro documento produzido em campo de batalha durante a chamada Guerrilha do Araguaia. Com variações mínimas, o desfecho é semelhante em todos os documentos emitidos pelos guerrilheiros aos quais este pesquisador teve acesso. Os textos evocam o mistério, sugerem a aventuras nas selvas, o perigo da morte sempre à espreita dos bravos revolucionários na imensidão da Amazônia.

 

Também estão impregnados de fina ironia, uma quase brincadeira que instigando a curiosidade dos inimigos. Onde estariam? “Em algum lugar…”. Mais que isso, esse discurso evoca inequívoco romantismo de quem acredita que deveria endurecer em armas em punho, mas sem perder a ternura jamais. Românticos cavalheiros, tal qual Lancelot ou Roland. Contudo, guerreiros viris e determinados, bravos camaradas, bem de acordo com os valores do bom revolucionário radical marxista, tal qual Fidel e Guevara. Afinal, terminam todos esses documentos com palavras-de-ordem evocando a luta armada, a violência e a morte.

 

Encontra-se no Comunicado nº 1 das Forças Guerrilheiras do Araguaia:

O povo unido e armado derrotará seus inimigos.

Abaixo a grilagem!

Viva a liberdade!

Morra a ditadura!

Por um Brasil livre e independente!,

 

O outro Comunicado ao Povo[4] termina com discurso semelhante:

Morte aos pistoleiros e bate-paus!

Morte aos grileiros!

Morte aos generais fascistas!

Abaixo o Incra!

Abaixo a ditadura militar!

Viva a terra livre

Viva o povo brasileiro

Viva as Forças Guerrilheiras do Araguaia!

 

Nos estudos que culminaram na conversão de Hobbes do humanismo renascentista ao racionalismo moderno, o pensador inglês formulou a idéia de que a figura do retórico é o homem com maior probabilidade de nos fazer descer a um nível inferior ao dos animais. “A meta da eloqüência, como ensinam todos os mestres da Retórica, não é a verdade, mas a vitória, de modo que a verdade só é alcançada por acidente”, ataca o pensador[5]. Hobbes também critica a maleabilidade emocional da platéia e assegura que a melhor maneira de levá-la à aceitação de nosso ponto de vista é produzir um abalo  emocional, falar de maneira a deixar a platéia “grandemente comovida”. Hobbes, enfim, tentou explicar à sua própria maneira aquilo que se conhece desde a antiguidade clássica, a idéia da eloqüência como força mobilizadora na política. “O objetivo dos oradores é conquistar seus ouvintes e, dessa maneira, alcançar a vitória. Maneira mais eficaz de mobilizar uma platéia é agindo como uma commontrix, uma impulsionadora das paixões da alma, uma despertadora de paixões como a esperança, o medo, a raiva e a tristeza”[6].

 

Ao analisar a questão da retórica em Hobbes, Skinnner[7] explica que, ao discutir o tema da inventio, a maioria dos autores clássicos e renascentistas que escreviam sobre a retórica começava por oferecer o mesmo conselho. “De um modo geral, esses autores presumiam que, em qualquer trabalho de caráter judicial ou deliberativo, devemos começar conquistando, tanto quanto possível, a boa vontade e a atenção favorável da nossa platéia (…). Eles costumavam acrescentar que a melhor maneira de colocar nossos ouvintes num estado receptivo era (…) alegar que temos algo de novo a dizer, ou declarar que nossos argumentos serão de especial benefício para a comunidade, ou então conceber algum outro meio de mostrar que somos dignos de crédito e de confiança. (…). Indignação e piedade, são as mais fáceis de provocar e intensificar através da eloqüência”[8].

 

A questão essencial que se coloca nesse trabalho é como analisar os documentos que os militantes do PC do B produziram durante a Guerrilha do Araguaia para se comunicarem com a população da região. Esses guerrilheiros traziam um discurso peculiar e o expressavam com uma retórica própria para expressar seus objetivos. Tentavam, com esses documentos, os “Comunicados das Forças Guerrilheiras”, instituir novos valores região dos conflitos, através de um novo discurso, uma retórica toda singular, inseridos que estavam naquilo que Roger Chartier define por “luta de representações”.

 

José Murilo Carvalho[9] lembra que, durante a “guerra de idéias” ocorrida no período da independência do Brasil, a retórica era uma das armas principais. Alguns jornais da época, explica o historiador, perceberam com muita clareza a necessidade de criar uma nova linguagem política e inculcá-la nos cidadãos, educando-o nos novos tempos.

 

José Murilo cita o exemplo do jornal A Nova Luz Brasileira, lançado em meio à uma batalha lingüística entre conteúdo e forma que se travava entre os intelectuais locais. Era uma disputa entre a retórica alegórica, simulada e delicada dos bacharéis, versus o discurso direto e sem eufemismos, “a linguagem da verdade, a linguagem dos bons tempos da antiguidade, a linguagem que entende um povo sincero ainda não afeito à cortesania de cortes corrompidas, a linguagem que tem todo cidadão honrado”[10]. O jornal pretendia restaurar o que seria a “virtude antiga”, não deturpada pelos hábitos cortesãos. “Essas pessoas delicadas”, publicou o jornal, “torcem o nariz, por exemplo, quando um ladrão é chamado de ladrão, um patife de patife. A linguagem delicada chama roubo de desperdício, crime de chalaça, com o fim de reduzir a gravidade da transgresão”[11]. Enfim, conclui José Murilo, “a guerra política acaba sendo também contra a retórica, ou melhor, uma guerra de retóricas”.

Vejamos com qual discurso as Forças Guerrilheiras do Araguaia comunicam uma das primeiras mortes no conflito, em panfleto mimeografado, com data de 20 de outubro de 1972, distribuído entre posseiros e lavradores da região, com o título “A Heroína do Povo”:

Em luta contra forças militares da ditadura, a 29 de set de 1972, morreu a valorosa combatente das Forças Guerrrilheiras Helenira Resende de Souza Nazaré, de Araguaína, conhecida entre seus companheiros com o nome de Fátima e nas cidades onde desenvolveu atividade revolucionária com a apelido de “Preta”. (…) Aprisionada, Helenira portou-se com dignidade própria dos melhores revolucionários. Os militares maltrataram-na de modo brutal para que dissesse onde se encontravam os outros combatentes. Respondeu que podiam mata-la. Nada diria. No dia seguinte, depois de sofrer as mais bárbaras torturas, foi friamente assassinada por seus algozes”.

 

O discurso direto, panfletário, sem subterfúgios. Nenhum traço do que se poderia chamar de retórica barroca, cortesã. É um discurso que começa direto, sem rodeios, quase seco. Decerto agradaria os criadores do prestigioso A Nova Luz Brasileira. O governo é chamado de “ditadura”, o interrogatório de “tortura” e falecimento de “assassinato”. Curioso é o fato desse comunicado, decerto redigido por um dos “paulistas” –como eram chamados pelos moradores da região os guerrilheiros vindos de fora, quase totalidade estudantes universitários ou jovens recém-formados– ter sido distribuído entre camponeses pouco letrados, ou mesmo analfabetos, decerto muito pouco familiarizados com o significado político de termos como “ditadura”, “democracia” e “revolução”, ou com conceitos como “elevadas qualidades morais”. Prossegue o comunicado:

“Não foi em vão o sacrifício de Helenira. Sua atitude despertará um número sempre maior de jovens para a luta contra a ditadura, pela democracia e a libertação do Brasil do jugo imperialista. Impulsionará o ânimo combativo dos que já se opõem à tirania e ao domínio da nação pelo monopólios estrangeiros. Ajudará a revolução a avançar. O lugar deixado por Helenira nas fileiras da guerrilha, no correr do tempo, será ocupado por milhares e milhares de novos lutadores. Uma causa que faz surgir pessoas com as elevadas qualidades morais desta destemida revolucionária só pode, mais dia menos dia, ser vitoriosa”.

 

Vale também transcrever trechos de uma carta do comandante Osvaldo Orlando Costa, o Osvaldão, gigante de ébano, coronel de patente conquistada na Academia Militar de Pequim, campeão de boxe pelo Botafogo do Rio de Janeiro, o mais conhecido e carismático dentre os guerrilheiros, cuja memória é hoje disputada pelos homens com quem caçou, mulheres que amou e filhos que deixou. Nessa correspondência, cujo destinatário não é identificado pelo nome, mas que tudo indica tratar-se de algum amigo pessoal do guerrilheiro, provavelmente dirigente da cúpula do PC do B que permaneceu na cidade grande, Osvaldão justifica as razões pelas quais pegou precipitadamente em armas, abandonando seu disfarce de lavrador. A carta tem um frontispício: “Interei-me na mata para combater os inimigos do povo”. Escreve Osvaldão a seguir:

“Como já deve ser do seu conhecimento, encontro-me nas matas do Araguaia, armas nas mãos, enfrentando soldados do governo que pretendem me apanhar vivo ou morto. Em nome da nossa antiga amizade, tomo a liberdade de lhe escrever a fim de explicar os motivos porque me acho nesta situação e as razões da luta que estou empenhado”.

“Há mais de seis anos morava nesta região, dedicando-me, honesta e pacificamente, ao duro trabalho do garimpo ou do marisco. Você é das testemunhas do meu comportamento, tanto em Araguatins e Marabá, como em Itamirim e Palestina. Nunca prejudiquei ninguém nem ofendi qualquer pessoa. Sempre fui benquisto e alvo de muitas atenções”.

(…)

“Estou convencido de que você compreenderá a minha posição. Sou um patriota, filho do povo. Aspiro ardentemente livrar a nação do cativeiro, do domínio dos gringos norte-americanos e da ditadura que está contra todos os bons brasileiros, inclusive contra sacerdotes”.

“Um grande abraço do amigo de sempre”

“De algum lugar das matas do Araguaia, 15 de julho de 1972”.

 

Como arte de persuadir, a retórica é um instrumento utilíssimo, que se aplica a todas as circunstâncias da vida, ensina ainda José Murilo de Carvalho. Ao analisar a retórica como chave de leitura da história intelectual brasileira, José Murilo lembra a tradicional receita luso-brasileira da arte de persuadir através das práticas retóricas livrescas, dos discursos abundantes em citações estrangeiras típicas de um bacharelismo verborrágico. Uma “verbiagem oca, inútil e vã, a retórica, ora técnica, ora pomposa, a erudição míope, o aparato de sabedoria, uma algaravia afetada e ridícula”, ironizou o ensaísta Manoel Bonfim[12], com sua própria retórica corrosiva. O brasileiro teria antes “amor à frase sonora, ao verbo espontâneo e abundante, à erudição ostentosa, à expressão rara”, acrescentou o mestre Sérgio Buarque de Holanda[13]. “De algum lugar das matas amazônicas”, declamavam (ainda que por escrito) as aventurosas Forças Guerrilheiras do Araguaia; “Viva o povo brasileiro”, repetiam nos Comunicados; “Interei-me na mata para combater os inimigos do povo”, escrevia um bravo guerrilheiro até mesmo no frontispício de uma correspondência pessoal e clandestina. A conclusão é de José Murilo de Carvalho: “Inteligência, para o brasileiro, seria antes ornamento e prenda, não instrumento de conhecimento e de ação. Uma consequência desse prestígio da palavra escrita, dessa crença mágica no poder das idéias, seria o bacharelismo, a fascinação com o título de doutor”[14].

 

A questão essencial extrapola a simples análise da retórica em si, ou mesmo como forma de persuasão, mas deve ser analisada como parte importante de uma luta maior pelas representações de valores que estavam em jogo no local do conflito. Os atores acreditavam estar lutando por uma revolução social, econômica e política. Era uma situação extrema, na qual pegaram em armas para derramar sangue, matar militares e, se necessário, camponeses governistas, estavam ali para morrer lutando por uma causa, como de fato muitos morreram. A retórica utilizada na comunicação dos guerrilheiros com os moradores da região, ou seja, os Comunicados “oficiais” das Forças Guerrilheiras, devem ser encarados como importantes fragmentos da história do conflito, retratos ilustrativos da guerra de idéias e de valores travada na ocasião.

 

O Tribunal Revolucionário talvez tenha sido a principal representação dos valores extremistas implementados pelos guerrilheiros do Araguaia. Tratava-se do poder de julgar adversários, camponeses e até mesmo os próprios companheiros, de acordo com os paradigmas que da nova sociedade pela qual lutavam. Julgá-los segundo as regras da revolução em curso, muitas vezes sem direito à defesa, e executá-los sumariamente, como teriam feito o cidadão Robespierre e os camaradas Lênin e Stalin. Na retórica revolucionária, tal ato era chamado de justiçamento[15]. Em fins de 1972, o Tribunal Revolucionário seria acionado para executar pela primeira vez o conceito do justiçamento de um morador da região. Ao ato, seguiu-se um comunicado público, expressando o seguinte discurso:

AO POVO

Julgado pelo Tribunal das Forças Guerrilheiras do Araguaia, foi condenado à morte, o pistoleiro conhecido pela alcunha de Pedro Mineiro, assalariado do capitão Olímpio, membro do grupo canalha “capingo”, protegido pela ditadura. Pedro Mineiro, responsável pela morte de vários lavradores e peões, paga com a vida seus crimes contra o povo.

Morte aos pistoleiros e bate-paus!

Morte aos grileiros!

Morte aos generais fascistas!

Abaixo o Incra!

Abaixo a ditadura militar!

Viva a terra livre

Viva o povo brasileiro

Viva as Forças Guerrilheiras do Araguaia!

 

Sentir-se-iam, nossos bravos guerrilheiros, encarnação do novo-homem de Lênin, os super-homens do socialismo, os sobre-humanos de Nietzsche[16]? De acordo com Nietzsche, a forma mais destrutiva de ilusionismo é a que transforma uma imagem num conceito e depois congela a imaginação dentro dos limites estabelecidos pelo conceito.

 

Quando escrevia A Era dos Extremos[17], o historiador egípcio Eric Hobsbawn pediu ao filósofo teuto-britânico Isaiah Berlin que lhe apresentasse um olhar panorâmico sobre o Século XX. Berlin, que viveu a maior parte do século, disse: “Lembro-o apenas como o século mais terrível da história”. A idéia central de Hobsbawn expressa nessa obra é a de que o Século XX teria sido um dos mais curtos da história. Teria começado em 1914, com a Primeira Guerra –que assinalou o colapso da civilização ocidental construída pela Revolução Industrial, uma civilização capitalista, liberal e burguesa— e terminado na virada das décadas de 1980-1990, marcado pelo colapso do bloco soviético. “O mundo que se esfacelou ba década de 1980 foi o mundo formado pelo impacto da Revolução Russa de 1917”, escreveu [18].

 

Esse breve Século XX teria sido a “Era da Catástrofe” produzida pelo próprio homem, nas palavras de Hobsbawn, edificado sobre incertezas, extremos e crises. Matavam-se mais seres humanos do que em qualquer outra época. Durante o período histórico da Guerra Fria, os conflitos ideológicos entre marxistas e as Forças Armadas na América Latina teriam provocado 150 mil mortos, principalmente em Cuba, Argentina, Peru e Chile, pela ordem[19].

 

No Brasil, os chamados Anos de Chumbo produziram cerca de 400 mortos ou desaparecidos, somadas tanto as vítimas da repressão militar quando as vítimas das guerrilhas de esquerda. Podem parecer números insignificantes se comparados aos da Europa, da Ásia –ou mesmo aos da Argentina e Chile. Nesse contexto, a Guerrilha do Araguaia, com seus 86 mortos, representa o último grande conflito grande sangrento no Brasil e onde ocorreu a maior mobilização militar desde a Segunda Guerra Mundial. A questão que se coloca é como interpretar os discursos que justificavam as ações e reações de cada uma das três partes envolvidas –guerrilheiros, militares e camponeses.

 

Talvez não se encontrem respostas satisfatórias na Economia ou Sociologia, mas sim na mentalidade incrustada em determinados sujeitos coletivos, aquilo que Chartier conceitua como representações do mundo social. O objeto histórico fundamental, segundo Chartier, é constituído por algo que é exatamente o contrário do objeto da história intelectual clássica: “à idéia, construção consciente de um espírito individual, opõe-se, passo a passo, a mentalidade sempre coletiva que rege as representações e juízos dos sujeitos sociais, sem que estes o saibam”[20]. Ao historiador das economias e das sociedades, argumenta Chartier, que reconstitui o que existiu, opor-se-ia, efetivamente, o das mentalidades ou das idéias, cujo objeto não é real, mas as maneiras como os homens o pensam e o transpõem.

 

É tal princípio que leva um grupo ou uma sociedade a partilhar, sem que seja necessário explicitá-los, um “sistema de representações e um sistema de valores”, define Chartier[21]. Ainda de acordo com Chartier, essas lutas de representações têm tanta importância como as lutas econômicas para compreender os mecanismos pelos quais um grupo se impõe: “Perante as idéias, ou melhor, perante os conceitos que utilizam os homens de uma época, fornecendo-lhes o conteúdo próprio dessa época, a tarefa do historiador das idéias é, portanto, a de substituir a busca de uma determinação pela função, função essa que só pode ser apreendida se for considerado globalmente o sistema ideológico da época considerada[22]”.

 

Nesse sentido, os documentos produzidos pelos guerrilheiros “em algum lugar das selvas amazônicas” podem ser considerados representações de um sistema maior de crenças compartilhadas pelos figurantes da época, sejam na condição de revolucionário, seja na de contra-revolucionário. Portanto, tais Comunicados só têm significados se analisados como parte da revolução à qual estavam seus autores engajados até a morte, como um novo tipo de ritual –a comunicação do revolucionário com as massas. Tal idéia nos remete, necessariamente, à Revolução Francesa e ao imaginário Ocidental produzido a partir da queda da Bastilha do posterior regime de terror instaurado pelos jacobinos.

 

Bronislaw Baczko[23] refere-se aos acontecimentos do dia 14 de julho de 1989 como dotados de enorme carga imaginária, que terminaram por se refletir na construção do mito revolucionário, presente como um fetiche, ao longo dos séculos XIX e XX.  Naqueles tempos tumultuados gerava-se uma série de novos rituais que representassem a utopia revolucionária e a promessa de uma comunidade fraterna de homens iguais. Mais do que isso, com a ascensão do jacobinismo, o domínio do imaginário utópico passou a ter uma relação intrínseca com violência, a prática de se lavar o passado com o sangue dos adversários, o resgate da honra social no fio da guilhotina. Eis Mirabeau: “Não basta mostrar ao homem a verdade: a questão capital é leva-lo a apaixonar-se por ela; não basta servi-lo nas suas exigências primárias, se não nos apoderamos da sua imaginação”[24].

 

Encontramos em Castoriadis[25] curioso exemplo do simbolismo e do discurso revolucionário, quando da instauração dos “Sovietes dos Comissários do Povo” pelos comunistas russos. Lembra o autor que Trotsky relata em sua autobiografia que, quando os bolchevistas tomaram o poder e formaram o governo, foi preciso encontrar um nome para o mesmo. A designação “ministros” e “Conselho dos Ministros” não agradava Lênin, pois lembrava os congêneres burgueses e seu modo de desempenhar as funções. Foi Trotsky quem propôs o termo “comissários do povo”. Lênin ficou encantado com a idéia, achou a expressão “terrivelmente revolucionária”. E foi essa terminologia que prevaleceu. Castoriadis: “Criava-se uma nova linguagem e, acreditava-se, novas instituições. Mas até que ponto tudo isso era novo? O nome era novo; e existia, em tendência pelo menos, um novo conteúdo social a exprimir: os Sovietes lá estavam, e era de acordo com a sua maioria que os bolchevistas haviam tomado o poder. Mas no nível intermediário que iria revelar-se decisivo, o da instituição em sua natureza simbólica em segundo grau, a encarnação do poder num colégio fechado, inamovível, cume de um aparelho administrativo distinto dos administrados –nesse nível, ficava-se de fato nos ministros, tomava-se a forma já criada pelos reis da Europa Ocidental desde o fim da Idade Média.[26]

 

 

3. CONCLUSÃO

 

Baczko destaca o fato de qualquer poder, designadamente o poder político, se rodear de representações coletivas. Ressalte-se, ainda, a importância que a palavra “revolução” adquiriu no imaginário ocidental, a conotação de panacéia para todos os males sociais, o abracadabra da justiça e da prosperidade dos homens. Não foi outra a razão que levou à produção de um panfleto para explicar o justiçamento do camponês Pedro Mineiro pelas Forças Guerrilheiras do Araguaia. O tom do discurso está longe de ser uma justificativa, uma defesa. Ao contrário, trata-se de um ato a ser festejado, apresentado bem de acordo com o simbolismo revolucionário e a retórica jacobina usual na época e na região –“Morte aos pistoleiros e bate-paus”, “Morte aos grileiros”, “Morte aos generais fascistas”, “Viva a terra livre”, “Viva o povo brasileiro”, “Viva as Forças Guerrilheiras do Araguaia”. O justiçamento dos “inimigos do povo” era um novo ritual que precisava ser difundido e instituído. Os Comunicados das Forças Guerrilheiras, por sua vez, eram uma nova linguagem a ser disseminada, a retórica revolucionária da utopia socialista.

 

Essa crença na necessidade de instituir novos rituais que representassem a utopia também levou os guerrilheiros a imaginar novas instituições públicas mais de acordo com simbolismo revolucionário –no caso, as “Forças Guerrilheiras do Araguaia”, signatária de todos os Comunicados ao povo da região, embrião de um futuro governo socialista. Representaria no Araguaia uma idéia “terrivelmente revolucionária”, como diria Lênin ao definir os Soviets dos Comissários do Povo.

 

Maffesoli lembra que um ambiente como esse provoca a suspensão da cotidianidade, no qual os sujeitos se descolam de seus valores usuais. Abre-se, desta forma, um espaço para a inserção de novos sistemas de valores. Tal fenômeno ocorreu tanto na guerrilha rural do Araguaia quanto na guerrilha urbana dos Anos 60 e 70 no Brasil. Alfredo Sirkys, ao longo de Os Carbonários[27], deixa explícito a suspensão da cotidianidade e a criação de uma nova linguagem entre os militantes da luta armada no Brasil, a retórica das armas. O guerrilheiro Ângelo Arroio, um dos três a escapar com vida da última fase da Guerrilha do Araguaia, registrou em seu relatório que considerou “uma deficiência de certa importância o não justiçamento de determinados inimigos”[28]. Carlos Marighela[29] ensinava a retórica das balas no “Mini-manual do Guerrilheiro Urbano”:

“O que importa não é a identidade do cadáver, mas o seu impacto sobre o público. (…) O revolucionário deve ser uma fria máquina de matar. Matar com naturalidade, esta é a única razão de ser de um guerrilheiro”[30].

 

Os fatos ocorridos na guerrilha urbana com o Carlos Lamarca[31], por exemplo, ilustram como é avassaladora a suspensão da cotidianidade dos guerrilheiros, inclusive de todo sistema de crenças e valores. Primeiro Lamarca matou, a sangue frio, de próprio punho, um guarda civil[32] durante assalto a banco em São Paulo, com um tiro na testa e outro na nuca. Sirkys registra que esse episódio emprestou ao “Capitão da Guerrilha” grande prestígio nas esquerdas brasileiras, a aura do verdadeiro bom revolucionário. Depois, durante o treinamento guerrilheiro no Vale do Ribeira, o mesmo Lamarca prendeu e determinou a execução de um tenente da PM[33], que teve a cabeça estourada com uma série de golpes de coronha de fuzil. Alfredo Sirkys relata detalhadamente o diálogo que manteve com Lamarca quando lhe cobrou a execução, em especial a forma desumana que foi realizada. “Era ele ou nós“, justificou Lamarca[34]. Mais tarde, relata Sirkys, o grupo sentiu necessidade de “legalizar” o fato “como um (duvidoso) ato da Justiça Revolucionária”, escreve ironicamente Sirkys, soltando o seguinte comunicado:

 “A sentença de morte de um Tribunal Revolucionário deve ser  cumprida  por  fuzilamento.  No  entanto,  nos encontrávamos próximos ao inimigo, dentro de um cerco que pôde ser executado em virtude da existência de muitas estradas na região. O Tenente Mendes foi condenado e morreu a coronhadas de fuzil, e assim o foi, sendo depois enterrado”.

 

Um discurso, enfim, muito semelhante à retórica expressa, de algum lugar das selvas amazônicas, nos Comunicados das Forças Guerrilheiras do Araguaia. Um comunicado impregnado de forte carga simbólica, uma representação do novo sistema de valores que os bravos revolucionários daqueles radicais Anos 60 e 70 tentavam implementar no Brasil. Exatamente aquilo que Pocock[35], com propriedade, definiu como a linguagem do humanismo cívico.

Morte aos generais fascistas!

Abaixo a ditadura militar!

Viva a terra livre

Viva o povo brasileiro

Viva as Forças Guerrilheiras do Araguaia!

 

 

 

4. BIBLIOGRAFIA

 

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PORTELA, Fernando. Guerra de Guerrilhas no Brasil – Informações novas. Documentos inéditos e na íntegra. São Paulo : Global, 1979, 2ª ed., 263 p.

SÃO  PAULO, Mitra  Arquidiocesana  de.  Brasil:  Nunca  Mais.  Tomos  I  a  VI.

Petrópolis : Vozes, 1985-1988, 6.891P.

SILVA, Eumano,  A história do Exército que torturava, matava e cortava cabeças, Correio Braziliense, Brasília, 08/11/2001, p.07.

SIRKYS, Alfredo. Os Carbonários. 14ª ed., São Paulo : Record, 1998.

SKINNER, Quentin. Razão e retórica na filosofia de Hobbes, in A rejeição hobbesiana da eloquência. Trad. Portugal, São Paulo : Unesp, 1999.

WHITE, Hidden. Nietzsche – A defesa poética da história no modo metafórico. In “Meta História”, Hidden White. São Paulo : Edusp, 1995.


[1] A fonte de informações mais utilizada pelos pesquisadores é o relatório do guerrilheiro Ângelo Arroio, redigido em São Paulo, após sua fuga da região, e publicado em 1976. Mais recentemente, surgiu uma segunda fonte primária, ex-guerrilheiro Micheas Gomes de Almeida, codinome Zezinho. Foi ele quem retirou Arroio da mata e depois desertou. Por um quarto de século foi dado como morto, incluído na lista dos Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça. Micheas só reapareceu em 1997, quando se reconciliou com o PC do B e começou a relatar a jornalistas e pesquisadores o que testemunhou na guerrilha. Há um terceiro sobrevivente da terceira fase, que fugiu com Arroio e Micheas, mas cujo nome permanece incógnito.

[2] Termo utilizado para designar recrutas, soldados profissionais de 18 ou 19 anos que estão cumprindo o serviço militar obrigatório.

[3] Carta dos guerrilheiros ao bispo de Marabá, dom Estevão Cardoso Avelar, de 20 de julho de 1972. Está assinada por José Carlos, Joça, Alice, Beto e Luiz (todos codinomes), “moradores do sítio Faveira, às margens do Araguaia”.

[4] Trata-se do Comunicado sem nº que informa a execução de um morador da região acusado de ser pistoleiro, Pedro Mineiro, pelas Forças Guerrilheiras do Araguaia. Esse documento será analisado mais detalhadamente adiante.

[5] In Quentin Skinner, Razão e retórica na filosofia de Hobbes, cap. 7 “A rejeição hobbesiana da eloquência”. Trad. Portugal, São Paulo : Unesp, 1999, pp. 335.

[6] Idem, p. 357.

[7] Skinner, op. cit.

[8] Idem, pp. 358.

[9] José Murilo de Carvalho. História intelectual no Brasil: a retórica como chave de leitura, in “Topoi, Revista de História”. Rio de Janeiro, nº 1, pp. 123-152.

[10] In José Murilo de Carvalho, op. Cit. Pp. 146. A Nova Luz Brasileira, 12/01/1830.

[11] Idem., pp. 146.

[12] Idem, pp. 129.

[13] Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro :  José Olympio, 1984, pp. 50-51. Referência no artigo supracitado de José Murilo de Carvalho.

[14] In José Murilo de Carvalho, op. cit., pp. 129.

[15] “Justiçamento” era o termo utilizado pela esquerda brasileira para caso de execuções dos próprios companheiros guerrilheiros acusados de traição; ou para a execução dos inimigos, os  militares e “imperialistas” em geral. Os “justiçamentos” teriam ocorridos tanto na guerrilha urbana, quanto na rural, Ao todo, as facções guerrilheiras brasileiras teriam cometido 15 “justiçamentos” sumários ao longo dos anos de chumbo, entre 1966 e 1976.

[16] Ubermensch, “sobre homem”, é o termo exato que foi utilizado pelo filósofo em sua polêmica idéia a respeito do “super homem”.

[17] Eric Hobsbawn. A Era dos Extremos : O breve século XX, São Paulo : Companhia das Letras, 2001, 2ª ed., 18ª imp., 598 p.

[18] Idem, pág. 14.

[19] Sobre isso, ver HOBSBAWN, op. Cit.; e PANNE, Jean-Lo, et al. O Livro Negro do Comunismo : Crimes, Terror e Repressão, São Paulo : Bertrand Brasil, 1ª ed., 1999.

[20] Roger Chartier. A História Cultural – Entre práticas e representações. Trad. Maria Manuela Galhardo. Rio de Janeiro : Bertrand Brasil; e Lisboa : Difel, 1990. Pág. 41.

[21] Ib.

[22] Ib, p. 49.

[23] Bronislaw Baczko. Imaginação Social. In Enciclopédia Einaudi, Vol V, Lisboa : Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 1987.

[24] Baczko, ib.

[25] Cornelius Castoriadis. A Instituição Imaginária da Sociedade. Rio de Janeiro : Paz e Terra, 3ª ed., pág. 147.

[26] Ib.

[27] SIRKYS, Alfredo, Os Carbonários. 14ª ed. São Paulo: Record, 1998, pág. 384. O autor militou na VRP de Lamarca; depois foi exilado político. Em 1980, de volta ao Brasil, publicou uma das mais completas e honestas auto-críticas da esquerda, Os Carbonários. Mais tarde fundou e presidiu o Partido Verde, tornando-se vereador na cidade do Rio de Janeiro.

[28] PORTELA, Fernando. Guerra de Guerrilhas no Brasil – Informações novas. Documentos inéditos e na íntegra. São Paulo : Global, 1979, 2ª ed., 263 p.

[29] Fundador da Aliança Libertadora Nacional, ALN, e líder maior da guerrilha urbana nos anos 1960 e 1970 no Brasil

[30] MIR, Luís. A Revolução Impossível. São Paulo: Best SelIer, 1994, 1ª ed. 755 p.

[31] Oficial do Exército, o capitão Carlos Lamarca desertou em 1968, levando um carregamento de armas do quartel onde servia, para se tornar comandante da Vanguarda Popular Revolucionária, VPR. Tornou-se o mais popular guerrilheiro urbano brasileiro. Caçado pelo Exército, foi encontrado e executado no sertão da Bahia, em 1971.

[32] Orlando Silva Saraiva

[33] Alberto Mendes Jr.

[34] Op. cit., págs 333/335.

[35] J.G.A. Pocock, referência em David Harlan.  A história intelectual e o retorno da literatura, in RAGO M. e GIMENES R. Narrar o passado, repensar a história. Campinas : IFCH, 2000.

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