jun 4, 2013

Eis que brota uma EcoEscola no Vale das Andorinhas…

Sempre acreditei que há certos bens materiais que não são nossos, que somos apenas os guardiões por um tempo. Assim são as dádivas da Natureza. Anos atrás adquiri um santuário ecológico no Vale das Andorinhas, Serra dos Pireneus, de frente para a cidade histórica de Pirenópolis, GO. Dentro da terra tem uma nascente, que forma um riacho, que se transforma em seis cachoeiras, abrigo de um espécie rara de andorinhas. De um platô no meio da terra, com fácil acesso de automóvel,  avista-se a cidade, a alvorada e o crepúsculo. Paisagens deslumbrantes. Por um bom tempo usufrui dessa dádiva somente com os amigos. Até que decidi compartilhá-la com a comunidade, em um projeto de educação ambiental voltado para as futuras gerações e fundamentado no conceito da Ecologia Profunda, do filósofo norueguês Arne Naess. Assim, aos poucos, já comecei a construir por conta própria a infraestrutura onde em breve vai se assentar uma área de lazer, o Jardim dos Sentidos, e a EcoEscola dos Pireneus, para a difusão da consciência ecológica e de técnicas de preservação do meio ambiente. Eis abaixo o projeto:

 MISSÃO – A EcoEscola dos Pireneus tem por missão primordial promover a educação, a pesquisa e a conscientização de crianças, jovens e adultos brasileiros, através da difusão dos valores e ideais do respeito à natureza e a todos os Seres Vivos.

VISÃO – A EcoEscola atingirá sua Missão através da promoção de cursos e atividades que viabilizem sua sustentabilidade econômjca, focada no ensino e conscientização sobre técnicas de reciclagem de resíduos, de preservação de biomas, matas e nascentes para as futuras gerações, como também de restauração de áreas degradadas.

Localização da Terra – Está sendo instalada em uma quinta privada denominada Reserva Vale das Andorinhas, uma propriedade rural de médio porte, com 46 hectares (460.000 m2) demarcados e legalizados, localizada ao pé do Parque Ecológico da Serra dos Pireneus, e de frente para a cidade de Pirenópolis, região central do Brasil, cidade esta tombada como Patrimônio Histórico Nacional. Trata-se de uma cidade fundada no início do Século XVIII, turística e estrategicamente localizada, distante 140 km de Brasília, a capital da República do Brasil, e 120 km de Goiânia, capital do Estado de Goiás, um dos mais promissores do país.

Poço dos Desejos: um dos seis recantos ecológicos da Reserva Vale das Andorinhas

CONCEITOS E FUNDAMENTOS

 Planeta Sagrado – Desde sua criação, o Homem sempre se viu como parte integrante da Natureza, a qual, muitas vezes, era divinizada. Trata-se do chamado biocentrismo, ou seja, a Vida como centro da existência humana. Foi a Civilização Ocidental quem criou o conceito do antropocentrismo, ou seja, da Humanidade como centro do Universo, relegando tanto a Natureza quanto os “deuses” à mera serventia. A Revolução Industrial levou o antropocentrismo às últimas consequências. Primeiro estabelecendo o direito do Homem explorar os recursos naturais de forma desmedida, tratando a Natureza como um mero recurso a serviço da emancipação social. Na sequência, criando novas cartas semânticas, como o direito dos povos “civilizados” dominarem os “incivilizados”, ou o conceito uma raça como superior à outra. Sofremos hoje as consequências do período de hegemonia desses conceitos. A partir da década de 1960, teve início um processo global de restauro do biocentrismo a partir da conscientização de que a Terra é um planeta finito, e a Humanidade precisa da biosfera para existir. Dentre os pensadores que mais se destacam nesse campo é o cientista britânico James Lovelock, responsável pelas primeiras descobertas sobre o aquecimento global e autor da Teoria de Gaia, segundo a qual a Terra (Gaia) é um sistema vivo e autônomo. Por conseguinte, o Homem é apenas uma parte viva desse sistema, Gaia, nosso Planeta Sagrado.

Ecologia Profunda – Proposto pelo filósofo e ecologista norueguês Arne Næss em 1973, a Ecologia Profunda é um conceito filosófico que vê a humanidade como mais um fio na teia da vida. Cada elemento da natureza, inclusive a Humanidade, deve ser preservado e respeitado para garantir o equilíbrio do sistema da biosfera. Enquanto a ecologia seria um estudo das interações entre os seres vivos e destes com o ambiente, a Ecologia Profunda é uma forma de pensar e agir, dentro da ecologia ou de qualquer outra atividade. O conceito foi proposto como uma resposta ao paradigma dominante e à visão dominante sobre o uso dos recursos naturais. A ecologia profunda possui influência do pensamento de Ghandhi, Rousseau, Aldo Leopoldo e muitos outros. A definição mais recorrente de Ecologia Profunda se dá justamente por meio do discurso do índio norte-americano Chefe Seatle.

“A terra não pertence, ao homem: é o homem que pertence à terra. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma” (Fonte: Wikipedia)

 Desenvolvimento da Sustentabilidade Responsável – O desenvolvimento da sustentabilidade responsável é a principal bandeira do projeto, onde, buscando a preservação do meio ambiente, em especial das águas e da biodiversidade do cerrado, pretende-se fomentar a educação, baseada na utilização responsável dos recursos naturais, sem qualquer tipo de degradação do meio ambiente, numa conciliação harmoniosa entre o homem e a natureza em atitudes proativas de preservação, como a difusão de técnicas de reciclagem de resíduos e restauração de áreas degradadas.

Responsabilidade Compartilhada – A criação de parcerias públicas ou privadas é um dos fundamentos do conceito do Desenvolvimento da Sustentabilidade Responsável. Assim, desde o projeto, a EcoEscola Dos Pireneus já nasce em parceria com o Projeto Planeta Sagrado, que desenvolveu o conteúdo didático dos cursos de educação de crianças e jovens; como também em parceria com a ONG Sementes do Cerrado, que já iniciou a catalogação do bioma da propriedade. Novos convênios estão sendo estruturados para o compartilhamento de responsabilidades, assim como o apoio efetivo de instituições públicas e de empresas privadas, principalmente pelos novos projetos ecológicos a serem desenvolvidos que beneficiarão toda a comunidade. É esse o principal princípio do conceito da Sustentabilidade Responsável: projetos que, preservem o meio ambiente (o planeta) e, simultaneamente, beneficiem especificamente a comunidade local.

 

Gruta das Andorinhas, moradia da espécie andorinhão

CONTEÚDOS DIDÁTICOS

 Fundamentos Conceituais – O objetivo é difundir o ensino e fomentar a pesquisa de técnicas de desenvolvimento da Sustentabilidade Responsável, preferencialmente em compatibilizade com os conceitos da Ecologia Profunda, proposta pelo filósofo norueguês Arne Naess de reconhecer a Terra e a Natureza como entes vivos. A EcoEscola tem por objetivo fomentar e articular as seguintes atividades:

 Educação Ambiental – Promover cursos intensivos de final-de-semana, com atividades vivenciais, para jovens das escolas particulares das grandes cidades da região, Brasília, Goiânia e Anápolis, especialmente sobre reciclagem de resíduos, principal problema ambiental urbano, preparo de mudas e plantio de árvores.

 Conscientização – Articular atividades vivenciais para os jovens da região, procurando difundir os conceitos de atividades econômicas sustentáveis e de desenvolvimento responsável.

 Cursos de Qualificação – Ministrar cursos técnicos para a formação de produtores rurais e atividades sustentáveis e relacionadas à produção agro-ecológica, eco-manufaturas e ao eco-turismo.

Pesquisa – Disponibilizar o ecossistema para que universidades e centros de pesquisa possam realizar pesquisas da fauna, da flora e do sistema geológico.

 Projetos Sociais – Buscar integrar as atividades da EcoEscola com entidades sociais, como de crianças carentes e de dependentes químicos.

 Mudanças Climáticas – Articular ou participar de atividades políticas que busquem a preservação das águas e da biodiversidade e do ecossistema do cerrado, como também dos movimentos ambientalistas e de desenvolvimento que busquem reagir aos efeitos das mudanças climáticas globais. É importante atuar efetivamente no local, mas sempre em articulação com o global.

 Quinta-Modelo – Estruturar uma quinta (sítio) com atividades econômicas produtivas, que servirá como modelo de uso para pequenas propriedades lucrativas e ecologicamente sustentáveis.

Rentabilidade Responsável – Buscar, por fim, articular e organizar os proprietários de terras da região em arranjos produtivos sustentáveis e responsáveis, como por exemplo, uma unidade para a produção e comercialização de plantas medicinais e/ou produtos cosméticos naturais. Outro arranjo produtivo a ser futuramente articulado é o reaproveitamento das montanhas de lixo das pedreiras (98% de sílica) numa unidade de manufatura de pisos e revestimentos ecológicos para a construção civil, as “ecostones”.

 

INFRAESTRUTURA

 Pretende-se que EcoEscola tenha a seguinte sugestão de infra-estrutura:

Energia limpa e renovável – instalação de um sistema misto com coletores de energia solar e eólica.

Saneamento biológico – fossas sépticas e escoamento de resíduos e lixo integrados a biodigestores.

Abastecimento ecológico da água – sistema de abastecimento de água com coleta da fonte natural, tratamento dos sólidos com filtro ecológico, devolução das águas não utilizadas ao rio e reaproveitamento das águas usadas em hortas e piscicultura.

Construções em permacultura – Sugere-se que a EcoEscola, em sua fase inicial, seja provida de um Centro de Convivência, auditório, casa da administração, alojamentos para hóspedes, casa da família de empregados (caseiro) e depósito. E que toda essa infra-estrutura seja construída com a técnica da permacultura, que aproveita ao máximo os materiais ecológicos, como madeira certificada, e matérias-primas do próprio local da obra, como pedras, terra, areia e madeiras de árvores mortas. Essa técnica busca a maior utilização da iluminação e da ventilação naturais, evitando o desperdício de energia.

Alimentação orgânica integrada – mandala com a integração de piscicultura, horta orgânica, herbanário medicinal e criação autorizada pelos órgãos competentes de aves ornamentais, como patos, marrecos e gansos.

Agro-floresta – adensamento de 5 hectares da floresta natural e áreas degradadas com arvores frutíferas e castanhas, plantas medicinais e cosméticas, plantio direto de cereais e raízes comestíveis.

Trilhas ecológicas – abertura de novas trilhas na floresta e nas encostas de pedra, assim como a melhoria das trilhas já abertas ao longo das águas para acesso às cascatas, de forma que suporte o fluxo de visitantes sem afetar a natureza e possam viabilizar catalogações de espécimes.

Jardim dos Sentidos – Criação de hortas e jardins integrados à Natureza, dentro do conceito filosófico da Ecologia Profunda, para que os estudantes possam vivenciar experiências com seus seis sentidos, sendo cinco sentidos físicos e, o sexto, espiritual.

 

Cachoeira Santuário: local de meditação e oração

CONVÊNIOS

 O passo seguinte será firmar convênios técnicos para a viabilização da EcoEscola, como por exemplo:

Escolas particulares das grandes cidades da região, Brasília, Anápolis e Goiânia, para a efetivação de workshops vivenciais de educação e conscientização ambiental (pagos).

Secretarias de Educação de Pirenópolis e de outras pequenas cidades da região, para levar jovens estudantes das escolas públicas para cursos, palestras ou visitações pedagógicas e vivenciais (gratuitas).

Universidades e centros de pesquisa, para a catalogação da fauna, da flora e das formações geofísicas relevantes. Entre os visados, estão a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade de Brasília e a Universidade Federal de Goiás, sendo que esta possui um campus avançado em Pirenópolis.

Instituições de qualificação profissional para ministrar cursos, como de agricultura orgânica e recuperação de nascentes. Entre os visados, o órgão de extensão rural do Estado, Emater, o Serviço de Aprendizagem Rural, Senar, e as agências ambientais federal, estadual e municipal.

Entidades e ONGs, Organizações Não-Governamentais, para atividades diversificadas, como a coleta de sementes. Já existe convênio assinado com o Projeto Planeta Sagrado http://projetoplanetasagrado.webnode.com.pt/, com a Rede Sementes do Cerrado e acordo informal com a organização ecológica Clube da Semente, por exemplo. (Ver o link de internet  http://www.clubedasemente.org.br/). O objetivo é buscar e formalizar outros tipos de convênios, com a divisão de responsabilidade acerca dos projetos ecológicos.

Vista da Reserva Vale das Andorinhas, na Serra dos Pireneus.

SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA

 Centros de Custos – O plano é criar dois centros de custos para duas pessoas jurídicas distintas:

Quinta-Modelo Reserva das Andorinhas – A EcoEscola está sendo instalada em uma propriedade rural de Direito Privado, que também tem custos de manutenção. Precisa ainda gerar renda aos proprietários. Mais que isso, tem por objetivo servir de exemplo aos pequenos e médios proprietários da região, criando um singular modelo de Sustentabilidade Responsável, que proporcione um padrão de vida digno aos proprietários.

EcoEscola Dos Pireneus - Por princípio, será uma instituição voltada para atividades de conscientização comunitária e sem fins lucrativos. Tem custos de manutenção e, portanto, terá que ter fontes de renda, abaixo detalhadas, e uma instituição jurídica mantenedora, outro tema abaixo tratado.

Sustentabilidade da EcoEscola – A EcoEscola poderá ser mantida com a arrecadação combinada de:

1. Taxas provenientes dos cursos, workshops, palestras, encontros, colóquios, etc., que serão ministrados.

2. Doações de instituições públicas ou de empresas privadas, com regular prestação de contas (detalhes abaixo).

Sustentabilidade da Quinta-Modelo – A renda de manutenção e a rentabilidade dos proprietários da terra, poderá ser obtida com a seguinte combinação econômica:

1. Ingressos de visitantes e turistas à Ecoescola, à Quinca-Modelo, às trilhas, Jardins dos Sentidos e às cascatas;

2. Atividades econômicas primárias, como extrativismo de castanhas, de plantas medicinais e cosméticas, produção de mudas de árvores e plantas ornamentais, etc.

3. Atividades econômicas secundárias, como a manufatura e comercialização de medicamentos e cosméticos naturais, em arranjos produtivos com os demais produtores da região.

4. Atividades econômicas terciárias, como o projeto “Adote uma Árvore”, no qual cidadãos poderão patrocinar o plantio de uma árvore de espécie relevante. Esse projeto visa fomentar o interesse de terceiros sobre a valorização do ecossistema, onde, a cada árvore plantada, um nome seja dado ao plantador, com acompanhamentos periódicos de seu crescimento através de imagens disponibilizadas em um sítio de internet, com registros de atitude e colaboração efetiva com o ambiente, um legado para o futuro.

Jardins dos Sentidos

Trabalho Social – Importante salientar que o proprietário da quinta Reserva Vale das Andorinhas tem outra propriedade rural na região, esta a 58 quilômetros de Brasília, onde, também no intuito de preservação da vida, foi instalado um centro terapêutico para dependentes químicos e de álcool, a Salve A Si. Originalmente, a propriedade tinha por objetivo abrigar um projeto econômico de plantação de árvores de corte, com madeiras nobres como mogno brasileiro, neen indiano e teca asiática. Assim está sendo efetivado. Em 2008, contudo, foi firmado um convênio com a Organização Não-Governamental (ONG) Salve A Si para compartilhar a terras e as instalações construídas e abrigar, em paralelo ao projeto econômico das árvores, uma ONG para tratamento de adictos. A contrapartida é a educação e a conscientização ambiental dos internos em técnicas de reciclagem de resíduos, ou produção de mudas e plantas ornamentais. As dependências da quinta abrigam em média 50 internos e já tratou de cerca de 850 adictos nesse período, com saldos extremamente positivos de combate à degradação, preservação do ser humano e fomentação, dentro da laborterapia, de plantio de árvores, de espécimes variadas de flores e frutos, assim como de uma grande horta orgânica para consumo próprio e comercialização do excedente..

Economia Solidária – Essa fato é citado como exemplo de possibilidades de articulação com entidades de cunho social e ecológico dentro do Projeto da EcoEscola Dos Pireneus e da quinta-modelo Reserva das Andorinhas. Os adictos já fazem atividades de laborterapia em uma grande horta orgânica. Podem, por exemplo, participar de uma iniciativa de medicamentos ou cosméticos naturais, decerto uma porta de reintegração social na junção homem-natureza. Para entender o projeto da Salve A Si, ver link www.salveasi.com.br

 Situação Jurídica da Terra – A Quinta Terra Paititi é uma propriedade rural totalmente legalizada, demarcada, com reserva legal registrada, com escritura definitiva transpassada em cartório e com todos os impostos quitados e mantidos em dia. Não há, portanto, qualquer pendência jurídica que pese sobre a propriedade.

Modelo jurídico da EcoEscola: Para a obtenção de recursos de instituições internacionais para a efetivação do projeto de criação da EcoEscola, sugere-se modelos jurídicos como contratos de comodato com o proprietário da quinta Reserva Vale das Andorinhas  (por 15 anos, por exemplo, renováveis), e/ou cessão temporária com objetivos definidos, e/ou ajuste de vontades, com previsão de direitos e obrigações de ambos os lados, incluindo a forma compartilhada da gestão e do ecossistema em si.

Instituição Mantenedora – Pelo melhor modelo brasileiro, será necessário um convênio com uma instituição existente, ou criação de uma nova instituição, que assuma a função de mantenedora da EcoEscola dos Pireneus. Essa instituição seria responsável pelos investimentos necessários e a receptora das eventuais doações à EcoEscola, com contabilizações claras e suficientes e com publicação de resultados. Pode-se criar um sítio de internet de prestação de contas, com acesso via senha, visando a transparência dos atos e conhecimento das movimentações financeiras em tempo real (online), podendo ser acessado pelos interessados em qualquer tempo e lugar. Também, poderá ser criado um conselho próprio com assentos dos interessados, com reuniões periódicas e pontuais.

 

Pirenópolis, ao fundo, vista da Reserva

 

ASPECTOS ECOLÓGICOS E MACRO-ECONÔMICOS

 Paraíso Ameaçado – A micro-região da Serra dos Pireneus está no centro do cerrado, espécie de savana brasileira, zona de separação entre a Amazônia e a Mata Atlântica, um ecossistema tão singular e expressivo em biodiversidade quanto ameaçado pelo desenvolvimento agrícola globalizado e predatório. Com 1.385 metros de altitude, a Serra dos Pireneus é o divisor de águas das bacias hidrográficas do Rio da Prata, que deságua na Argentina, com a Bacia do Tocantins, que deságua no Amazonas. A diversidade fitofissionômica faz do cerrado uma das maiores biodiversidades do planeta. Há, portanto, variados tipos de vegetação como campos limpos, úmidos ou secos, matas de galeria, matas mesofíticas, veredas e o próprio cerrado. A cidade de Pirenópolis, por sua vez, está cercada por centenas de nascentes e águas doces e cristalinas. Há cerca de 120 cascatas cadastradas como pontos turísticos em um raio de 30 quilômetros do centro da cidade.

Serra dos Pireneus – Um dos braços da Serra dos Pireneus cerca a cidade como uma gigante ferradura. A serra estende-se por quase 100 quilômetros, ao longo de quatro diferentes cidades do Estado de Goiás. No centro da serra há um parque ecológico mantido pelo Estado, reserva natural permanente. Há um santuário geológico, a Cidade das Pedras. E há, também, diversas propriedades rurais, tanto de lazer, quanto de exploração econômica, tal como a quinta Reserva Vale das Andorinhas – neste caso, um paraíso ecológico e próspero para o desenvolvimento de projetos relacionados à preservação, sustentabilidade e pesquisas ecológicas.

Cidade Histórica – Fundada no início do Século XVIII, ápice do ciclo do ouro no Brasil-Colônia, Pirenópolis foi por mais de um século um importante centro econômico e com grandes riquezas naturais e culturais. Contudo, findo o ciclo do ouro, passou quase dois séculos semi-isolada do resto do País, a 1.200 quilômetros da metrópole mais próxima. Esse fato acabou levando a cidade a uma singularidade rara no território brasileiro, pois manteve preservada sua arquitetura colonial. Também manteve as tradições culturais quase intactas. Entre outras tradições folclóricas – e únicas— é em Pirenópolis que anualmente realiza-se um grande festival remanescente da Península Ibérica medieval, as Cavalhadas, nas quais, ao longo de uma semana, cavaleiros cristãos e cavaleiros mouros se enfrentam em combates simulados, até a conversão do rei mouro aos pés do imperador cristão, um verdadeiro espetáculo de beleza e preservação de identidade.

Estância Turística – Contribuiu para o mencionado isolamento o fato de que a única estrada colonial tinha que atravessar a Serra dos Pireneus. Somente em 1988 foi construída uma estrada pavimentada interligando Pirenópolis às duas metrópoles da região, Brasília, a capital federal, com 2,8 milhões de habitantes, e Goiânia, a capital do Estado, com 1,2 milhões de habitantes. Desde então, e cada vez mais, Pirenópolis tem se consolidado como um importante pólo turístico regional. Há o turismo ecológico, rumo às 120 cascatas das cercanias. Ou o turismo cultural, sobretudo do corpo diplomático estrangeiro de Brasília. Consolida-se também o turismo gastronômico. Existe uma infra-estrutura hoteleira em expansão, de pousadas simples (hostais) a complexos hoteleiros cinco estrelas. Para ver mais detalhes e imagens da cidade, suas cascatas, arquitetura colonial, folclore, infra-estrutura turística, rede hoteleira e gastronomia, ir ao sítio de internet www.pirenopolis.com.br

Economia Local – Apesar dos novos investimentos em eco-turismo, a maior parte da economia local ainda é baseada pela pecuária extensiva e devastadora, como também pelo extrativismo mineral predatório. A pecuária da região ainda usa a técnica de derrubar grandes extensões de florestas, com queimadas, para a implantação de pastagens exóticas e que competem de forma predatória com o ecossistema nativo. Apesar da fiscalização dos órgãos ambientais do governo, é essa a economia anti-ecológica que prevalece na maior parte das propriedades rurais da região. A cidade de Pirenópolis, especificamente, nascida sob o signo da extração de ouro e das pedras preciosas, tem como grande motor da economia atual a mineração de pedras em sílica, para revestimento decorativo. As pedreiras, quase todas dominadas por oligarquias políticas tradicionais, ainda empregam a maior parte da mão-de-obra local, mais de 5 mil trabalhadores. Deixa em seu rastro montanhas gigantescas de lixo mineral, a sílica, cujo destino dos restos de sua extração ainda não se deu a resposta.

Revolução Ecológica – Pirenópolis é esse paradoxo entre uma economia voltada para a extração e, de outro, uma região que abriga água doce e uma biodiversidade inigualável. Uma das grandes curiosidades é que a cidade foi palco da primeira e única revolução ecológica da história do Brasil, quando, em 1905, a população entrou em guerra civil contra os mineradores de ouro que poluíam com mercúrio as águas do Rio das Almas, que banha a cidade, expulsando-os para sempre da região. Reza a lenda que os mineiros, em fuga para salvar suas vidas, deixaram para trás grandes tesouros em ouro e pedras preciosas (diamantes, quartzos e turmalinas), escondidos em uma das cavernas da região. Até hoje grupos amadores de espeleologia aparecem para explorar as cavernas em busca do tesouro perdido. Se olhassem melhor à sua volta, veriam que esse tesouro não reluz em dourado. Mas é límpido como as muitas as águas que nascem e descem na Serra dos Pireneus. Ou seja, o tesouro é a água doce e ainda despoluída.

 

Área reservada para a construção da EcoEscola: abraçada por canteiros de ervas medicinais

SANTUÁRIO A SER PRESERVADO

 Reserva Vale das Andorinhas – A quinta Reserva Vale das Andorinhas é a primeira propriedade da Serra dos Pireneus. Fica a 3,5 km da cidade, quando termina o asfalto e inicia a estrada de terra que atravessa toda a serra pelo platô do topo. À esquerda, a quinta é demarcada pela estrada da serra. À direita, pelo rio Barriguda, que abastece a cidade de água. Abaixo, é demarcada por uma mata virgem. No ponto mais alto da quinta, já no platô da serra, nasce uma fonte de água, denominado o córrego Água Limpa, que se junta a outro que nasce na terra vizinha, o Limbo Verde. Esse córrego corta toda a propriedade em diagonal por cerca de 3 km serra abaixo, formando seis cascatas ou recantos ecológicos, para ao fim, no limite inferior da propriedade, desaguar no rio Barriguda. A propriedade, portanto, inserida numa paisagem verde magnífica, reúne água doce e pura, da melhor qualidade em toda a sua extensão.

85% da Área Preservada – As águas dessa fonte ficam 100% dentro da quinta. Não são divididas com vizinho algum, o que potencializa sua preservação. O objetivo é mantê-las intactas e preservadas de quaisquer tipos de poluentes químicos e outros, não abertas a banhos predatórios, portanto. Quanto às terras da propriedade, por sua vez, é importante destacar que cerca de 85% área total permanece preservada. Ou como mata ciliar virgem, ou como cerrado (savana) intocado, ou como escarpas de pedra. Há uma pequena área na parte debaixo da Quinta, com apenas 1 hectare (10.000 m2), que está sendo utilizada para abrigar a casa sede, a casa do empregado, estábulo dos cavalos, jardins e pomar de frutas, rodeados, também, de plantações originais. E outra área na parte de cima da Quinta, com cerca de 4,5 hectares, que outrora, décadas atrás, foi utilizada por camponeses a subsistência e extração de pedras. É nesta segunda área que se inicia a implantação da futura EcoEscola dos Pireneus.

Santuário da Biodiversidade – A fauna do cerrado mantém suas peculiaridades devido à diversidade de tipos de vegetação. A Serra dos Pireneus, com sua altitude e formações rochosas singulares, possui uma biodiversidade extremamente rica. Circula por lá uma série de animais em extinção, como a onça parda, o veado campeiro, o lobo-guará e grupos de emas e de siriemas silvestres. Além de toda sorte pássaro.

Santuário no Santuário – E a quinta Reserva Vale das Andorinhas, por sua vez, é um pequeno santuário dentro desse ecossistema raro. É refugio permanente de um grupo de siriemas, de um bando macacos e outro de quatis. Circulam veados e é passagem de onças. Também são avistados lobos-guará. É um refúgio de enorme variedade de pássaros. Há tucanos, um grande bando de barulhentas maritacas (pequenos papagaios) e outro bando de uma espécie de andorinha rara, o andorinhão, que faz ninho em gruta atrás de uma das cascatas do córrego Água Limpa, recanto denominado “Gruta das Andorinhas”, e também na “Cachoeira das Andorinhas”, no rio Barriguda, um dos pontos turísticos mais conhecidos da região, que por sinal fica em frente à uma das porteiras da quinta. É comum a presença de aves de rapinas raras, como a águia-cinzenta, a águia-chilena, o urubu-rei e diversos gaviões. Já foram identificados 92 espécies de pássaros voando dentro da quinta. O mais relevante, contudo, é a diversidade da flora do cerrado. Todos os anos, equipes ecológicas do Clube da Semente aparecem para fazer coleta dentro das matas do Vale das Andorinhas, para posterior distribuição gratuita de sementes em todo o Brasil. A Organização Não-Governamental Rede Sementes do Cerrrado, por sua vez, em 2011 realizou o primeiro inventário de árvores, tendo demarcado com GPS e catalogado 80 matrizes relevantes somente na pequena área de 4 hectares em volta da casa-sede.

Mineração – Também há incidência de quartzo e de turmalinas negras dentro da propriedade. As terras já abrigaram duas diferentes pedreiras, hoje recobertas pelas matas reconstituídas. Em passado mais distante, no século XIX, foi área de mineração de ouro e de pedras semi-preciosas. Passeando-se pelas escarpas da serra, vez por outra ainda se encontra turmalinas negras no chão, em céu aberto. Não há hoje qualquer tipo de atividade mineradora. Apenas houve a visita didática, em 2009, de um grupo de estudantes de Geologia da Universidade de Brasília.

Mudanças Climáticas – A propriedade Reserva Vale das Andorinhas foi adquirida por um ambientalista brasileiro, Hugo Studart (detalhes adiante), já com o objetivo premeditado de ali constituir um refúgio ecológico, tudo no sentido de minimizar os efeitos das mudanças climáticas. É apenas uma quinta. Contudo, por conta da sua localização estratégica e pelo ecossistema raro que abriga, é terra suficiente para articular pequenos projetos educacionais e sociais de cunho ecológicos, dentro de um novo conceito econômico e político – o do Desenvolvimento da Sustentabilidade Responsável. A quinta e seus projetos podem ser ínfimos diante dos grandes problemas que o planeta precisa enfrentar por conta das mudanças climáticas. Mas é a contribuição que o casal de proprietários pode dar.

O Vale das Andorinhas é refúgio permanente de macacos, quatis, siriemas e passagem de onças. Nada menos que 92 espécies de pássaros foram identificados no Vale das Andorinhas

Leave a comment

*

Fotos

  • Martin Luther King Martin Luther King
  • Mandela Mandela
  • Paulo de Tarso Paulo de Tarso
  • Kenobi Kenobi
  • Proudhon Proudhon
  • Tereza Tereza
  • Yoda Yoda

Canais

Amigos do Blog no Face

Conteúdos mais lidos

Arquivo

setembro 2016
D S T Q Q S S
« dez    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

Tags

Area Administrativa

Escolha o Indioma

'