dez 10, 2010

O entre-lugar de Bhabha na Los Angeles de Crash

Anotações sobre o filme “Crash, no Limite” (diretor: Paul Haggis, EUA, 2004) sob a luz das teorias de Hommi Bhabha sobre o multiculturalismo, o “local da cultura” e  o “entre-lugar” (seminário para disciplina “História, memória e imagens fílmicas”, dentro do Doutorado em História Cultural, Universidade de Brasília)

O filme parece ter saído das teorias de Hommi Bhabha, um dos mais respeitados pensadores da cultura na pós-modernidade

por Hugo StudartO filme, em suas parte e no teu todo, parece ter saído de um ensaio de Homi Bhabha sobre o chamado “local da cultura”. Para Bhabha, cultura é diversidade, mas também existe um “local da cultura” determinado às sociedades – no caso em questão, a multifacetada Los Angeles do tempo presente, local de encontro e de convivência de uma multidão de fragmentos étnicos, lingüísticos e culturais. Em Crash, como no pensamento de Bhabha, as diferentes culturas (anglo-saxãos, afrodescendentes, hispânicos e asiáticos) ficam se digladiando, alguns se impondo e deixando seus valores disseminados, outros resistindo. Bhabha chama de “entre-lugar” esse “local”, onde ocorre um choque (um crash) cultural permanente, onde as diferentes culturas disputam seus espaços, sem contudo nunca haver hegemonia.

Com o conceito do “entre-lugar”, Bhabha quebra a idéia antropológica da aculturação, coisa passiva, como também quebra historicamente o conceito de dominantes e dominados para chegar ao que Mikhail Bakhtin define por “circularidade cultural”. Em Crash, não há claramente dominantes nem dominados. Um branco anglo-saxão, o promotor, pode até estar no topo da cadeia alimentar, mas precisa fazer concessões aos negros, precisa do apoio dos negros para se manter onde está. Em outro segmento social, mais abaixo, um policial branco (nesse caso irlandês) perdeu por completo a hegemonia para os negros por conta da política oficial de cotas raciais. Revolta-se, tenta se rebelar, muda de estratégia e tenta se aliar – em vão, é massacrado e discriminado pela assistente social negra, que faz contra ele exatamente o que os brancos faziam com as gerações anteriores. Continue reading »

abr 18, 2010

A Filosofia da História de Marx

Anotações sobre a vida, a obra e a Filosofia da História de KARL MARX, com seus conceitos de materialismo histórico, alienação e mais-valia (Para a disciplina Teoria da História, ministrada pelo professor Fernando Catroga, do Instituto de História das Ideias da Universidade de Coimbra. Por José  de Sousa Pais, aluno do doutorado em História, da Universidade de Coimbra

Segundo Marx, a humanidade estaria em constante “evolução” em direção à sociedade sem classes

QUEM FOI MARX?

Karl Marx nasceu em Trier (Alemanha). Viveu entre1818-1883, num meio familiar burguês: o seu pai era advogado e conselheiro da justiça e proprietário agrícola, judeu convertido ao cristianismo luterano. Um dos seus tios foi o fundador do colosso industrial holandês Phillips. Continue reading »

abr 18, 2010

A Ordem e o Progresso de Comte dentro da Teoria da História

Anotações sobre a vida, a obra e a Filosofia da História de Augusto Comte, inspirador maior do imaginário desenvolvimentista de quase todos os governoda da América Latina até nossos tempos pós-modernos (Para a disciplina Teoria da História, ministrada pelo professor Fernando Catroga, do Instituto de História das Ideias da Universidade de Coimbra. Por José  de Sousa Pais, aluno do doutorado em História, da Universidade de Coimbra

 

Augusto Comte: Filosofia da História segundo a qual a humanidade “evolui” rumo à Sociedade dos Sábios. Ideias adotadas por quase todos os governos da América Latina desde a virada do Século 19 para o 20. Incluindo o governo da presidente Dilma

QUEM FOI AUGUSTO CONTENasceu em Montpellier em  1798 e morreu em  Paris em 1857), tendo sido um filósofo de  referência. Teve formação na área da matemática, mas muito influenciado pelo Conde Henri de Saint-Simon (1760-1825), expoente do socialismo utópico, de quem foi secretário e colaborador entre os seus 19 e os 36 anos. Continue reading »

mar 26, 2010

Boaventura e a redescoberta democrática do trabalho e do sindicalismo

Anotações sobre as ideias do sociólogo Boaventura de Sousa Santos a respeito da necessidade de redescoberta do sindicalismo, expostas no livro  “A Gramática do Tempo”, vol. 4, cap. 11 (Disciplina: Globalizações Alternativas e a Reinvenção da Emancipação Social; Doutorado em Globalizações e Cidadania, do Centro de Estudos Sociais/Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal)

Professor Boaventura de Sousa Santos, com Hugo Studart, em momento de descontração em uma taverna em Coimbra, Portugal: gratidão ao grande mestre por ter me aceito como investigador do CES e como aluno-ouvite de seu último curso antes de se aposentar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A redescoberta democrática do trabalho e do sindicalismo”

A idéia central do capítulo é a de que a redescoberta democrática do trabalho é condição sine qua non da reconstrução da economia como forma de sociabilidade democratica. A premissa apresentada é a de que o trabalho está perdendo a importância como fator de produção, portanto, tornou-se problematica que o trabalho possa hoje sustentar a cidadania.

As soluções propostas são:

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jan 14, 2010

Quando Deus chama um poeta

BRUNO TOLENTINO Era um intelectual de estirpe clássica, escreveu sua apologia em Oxford e desceu ao inferno para resgatar os demônios. Queria morrer como um filósofo. De volta ao Brasil, virou uma peste. Encontrou um país devastado pelas panelinhas ideológicas, deu início a uma faxina cultural e decidiu escolher um outro fim, o de um kamikaze. Entrei em seu apartamento no exato momento em que o poeta soube que em breve iria morrer de Aids. Quis a providência que a primeira pessoa a escutar o poeta em suas reflexões sobre a vida após o aviso da morte fosse um repórter (Publicado originalmente pela revista República)

Tolentino: oito horas consecutivas de entrevista com o poeta sensibilizado pela informação de que iria morrer de Aids

Por Hugo Studart

Em 1964 Cecilia Meireles foi visitada em seu leito de morte por um jovem poeta de boa estipe, um certo Bruno Tolentino. O rapaz sentou-se à cabeceira da musa e, comovido, compôs um longo poema –depois desapareceu do Brasil e nunca mais se ouviu falar de sua pena. Ficaram os versos, no qual ele explica como gostaria que fosse sua própria morte:

– Esta vida se compõe de curas/ provisórias e sucessivas,/ mas tu, por muito mais que vivas,/ te curaste só das amarguras:/ nem peço cura mais tranquila/ para mim. Tentarei repetí-la.

Passaram-se mais de três décadas. Diria hoje um poeta da velha estirpe, como já é o caso de um Tolentino, que nada, nada mais é como dantes, posto que o bafo da morte acabara de se fazer anunciar. “Soube ontem do resultado da biópsia”, revelou, já nas primeiras das muitas revelações desse encontro. “Estou com câncer”. Em verdade era Aids, confessaria ele mais tarde. Quis a providência que a primeira pessoa a escutar o poeta em suas reflexões sobre a vida após o aviso da morte fosse um repórter.

– Chegou a minha vez e eu vou ter que encarar mesmo esse negócio… Estou com muita saudade de Deus, há muito que ele não me aparece. Talvez agora possa me dar mais atenção.

Bruno Tolentino, 56 anos, professor muito amado, ensaísta renomado, pensador erudito, polemista sádico, católico fervoroso e poeta –um dos maiores da atualidade, garantem seus pares europeus– está ansioso.

– Há situações extremas, como a do encarceramento ou a iminência da morte, em que a criatura se confronta com questões fundamentais. Então caem as máscaras e a introspecção torna-se inevitável. Essa solidão é produtora de poesia, ou de desespero. Continue reading »

jul 1, 2009

A guerra acabou

A abertura dos arquivos secretos da ditadura sobre a Guerrilha do Araguaia será doloroso para os dois lados –militares e PCdoB. Mas pode também ser um alívio. Será como a dor de um parto, no caso, o parto da reconciliação com a história (Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S.Paulo, pág. 2, Opinião)

 

Por Hugo Studart

Que fique bem claro que ainda há batalhas pela frente, algumas delas bem difíceis. Contudo, caso haja alguma sensatez na cabeça das autoridades brasileiras, as civis e as militares, existe possibilidades de, ainda neste de 2009, a frase supracitada, expressão máxima de júbilo dos povos, também possa ser enunciada no Brasil: “A guerra acabou!”. Refiro-me, prezados leitores, àquela guerra ideológica fratricida ocorrida nos anos 70 da região do Araguaia – naqueles tempos em que o filósofo Isaiah Berlin chamou de “os mais terríveis da história” – quando exatos 69 jovens voluntaristas, sem armas, provisões ou apoio popular, tentaram implantar uma tirania comunista no Brasil — mas foram fulminados por um Estado autocrático, que cometeu violações aos Direitos Humanos. A aventura deixou um saldo de pelo menos 95 vítimas. Desses, 17 já descansam em sepulturas, sendo 10 militares, seis camponeses e uma guerrilheira. Ainda haveria 78 desaparecidos – 57 guerrilheiros, 20 camponeses e um soldado.

A sociedade brasileira jamais quis a guerrilha. Contudo, quase quatro décadas depois, a guerra não acabou. Poderia ter findado em 1979, com a Anistia recíproca. E se não terminou, a culpa maior é das Forças Armadas, que se recusam a entregar os corpos dos desaparecidos às suas famílias. Elas têm o direito sagrado de enterrá-los em sepulturas dignas. A novidade é que essa guerra pode estar chegando a seus estertores, graças à série de reportagens que o Estado de S. Paulo publicou dias atrás com os arquivos secretos do tenente-coronel Sebastião “Curió” de Moura. O que o militar revelou, em suma, é que o Exército teria executado 41 prisioneiros no Araguaia. E o mais importante, indicou os locais usados para a ocultação dos cadáveres. Os fantasmas se materializaram. Os mortos se levantaram e estão pedindo sepultura.

Antes de Curió cantar, já se sabia que o Exército executara prisioneiros. Em minhas pesquisas junto a militares, cheguei a identificar e a confirmar 16 execuções. Também registrei mais 28 possíveis execuções, no total de 44. Mas a lista tinha lacunas. A listagem de Curió é mais precisa; ainda assim contém imprecisões. Inclui como executados, por exemplo, três guerrilheiros que se entregaram, foram poupados e receberam novas identidades: Hélio Navarro de Magalhães, Antonio de Pádua Costa e Luiz Rene Silva. Pelo menos Navarro está vivo; até tempos atrás trabalhava numa multinacional francesa, em São Paulo. O fato de terem sido 41, 38 ou 16 execuções, é tema irrelevante para a História. Mas saber o destino de cada um, individualmente, é essencial para o acalento e a pacificação das famílias.

Nos últimos cinco anos, alguns oficiais superiores que combateram no Araguaia vêm abrindo seus próprios arquivos. Mas abriram de forma seletiva, ocultando fatos que detratam o Exército. A relevância do ato de Curió, tomado à revelia dos comandantes, é que provoca um desfecho histórico possível à guerra. Se os comandantes aproveitarem a oportunidade, seguirão atrás de Curió pelo rumo certo da História.

É ingenuidade imaginar que os papéis que restaram nos quartéis contenham revelações bombásticas. Militares podem ter agido como hunos, mas não eram imbecis. Não registraram os atos de exceção em documentos oficiais. Ademais, as pistas relevantes foram cremadas em 1975, por ordem do presidente Ernesto Geisel. Portanto, esqueçam história positivista. Só é possível reconstruir os fatos com metodologias pós-modernas, através de narrativas orais dos remanescentes. São estes os arquivos que os militares precisam abrir: os fragmentos de suas memórias.

Quando isso ocorrer, se ocorrer, restará comprovado que os militares cometeram de atos de exceção no combate aos guerrilheiros. Prenderam moradores da região de forma arbitrária, executaram prisioneiros, profanaram corpos, relegaram seus próprios valores e instauraram a Lei da Selva. Também ficará constatado que o presidente Emilio Médici deu a ordem expressa de executar prisioneiros – ordem ratificada pelo sucessor Geisel. A esta altura, que grande novidade há em confessar esses erros?

Por outro lado, restará igualmente comprovado que os atos de exceção não foram cometidos pela Forças Armadas em seu conjunto, mas tão-somente por uma pequena facção, a Comunidade de Informações, cerca de 40 homens no Araguaia. Nem se violou direitos o tempo inteiro. Nas duas primeiras campanhas, as Forças combateram segundo as Leis da Guerra. Quem morreu, tombou em combate; quem foi preso, está vivo. As violações ocorreram apenas nos derradeiros combates da Terceira Campanha, quando as tropas desceram na selva com a ordem de não fazer prisioneiros. Desapareceram com 47 guerrilheiros e cerca de 20 camponeses.

Se os militares abrirem seus arquivos, igualmente se descobrirá que os atos de barbárie foram recíprocos, e que os guerrilheiros chegaram a esquartejar vivo um garoto de 17 anos, João Pereira – primeiro cortaram-lhe as orelhas, as mãos, os pés, os braços – na frente da família, como punição exemplar pelo fato dele ter levado militares a um acampamento guerrilheiro, quando prenderam José Genoíno. A abertura dos arquivos será doloroso para os dois lados. Mas pode também ser um alívio. Será como a dor de um parto, no caso, o parto da reconciliação com a história

O Exército organiza uma expedição ao Araguaia para procurar corpos.  Curió indicou quatro locais de desova. Um deles, vale lembrar, é a cabeceira sul da pista de pouso de Bacaba. Deve haver ali três corpos. Já os restos de Rosalindo Cruz Souza, justiçado pelos companheiros por conta de um caso banal de adultério, ainda devem estar em frente à casa do sítio de um conhecido camponês, João do Buraco. Podem ir lá pegá-lo; está sem a cabeça. A torcida agora é que o comandante Enzo Peri esteja de fato fazendo a opção histórica que leve as famílias a gritar: “A guerra acabou”.

mai 14, 2009

O diário romântico do capitão Lamarca, em diálogo com a História Cultural

“O CRONISTA É O NARRADOR DA HISTÓRIA”

(Walter Benjamin)

Há um fragmento de história esquecido no limbo. É um diário. Ou melhor, é um conjunto de cartas de amor organizadas na forma de um diário. Cometido pela pena do capitão Carlos Lamarca, um dos ícones da revolução brasileira, e endereçado à sua amada Iava Iavelberg, também guerrilheira, acabou relegado aos escaninhos dos arquivos secretos militares. Lamarca amava Iara, que também o amava, e acabaram separados pelas vicissitudes daqueles tempos. Ele, exilado no sertão baiano. Ela, escondida em Salvador. A paixão do capitão pela guerrilheira virou lenda entre a intelectualidade pátria, nossa melhor versão de Tristão & Isolda, Lancelot & Guinevere, Garibaldi & Anita; a velha história do valente guerreiro lutando contra ogros e dragões para provar seu amor pela musa inspiradora. Certo dia, quente e seco, chegou ao capitão a notícia de que sua musa estava morando com outro companheiro de armas. Rua reação foi escrever. Foram 41 dias naquele deserto desnudando sua alma. Tal qual Horácio no exílio, de dia expunha seus ideais políticos, idéias pessoais, sonhos, temores e amores – suas paixões. De noite era só pesadelo: torturava-se de ciúmes. Registrava tudo. O diário jamais chegou à destinatária. Ela morreu antes. Ele, dias depois, tal qual Romeu, assim que soube que perdera de vez a amada. Esses fatos ocorreram em 1971.

Certa feita, em 1974, os militares chegaram a divulgar discretamente o teor daquele diário. Queriam usá-lo como peça de propaganda política, tentavam expor a fragilidade emocional desse capitão-guerrilheiro, que desertou de armas em punho para combater a ditadura – mas acabou perdendo-se numa paixão. Ora, ninguém prestou muita atenção na peça ouem seu conteúdo. Nemmilitantes da revolução, nem jornalistas. Muito menos historiadores, naquele tempo, hegemonicamente marxistas e estruturalistas. Quase quatro décadas depois de escrito, o diário ainda se encontra no limbo da História. Curiosamente, é uma das peças mais ricas para analisar e compreender aquela época que Isaiah Berlin definiu como a “mais terrível da história”. Continue reading »

mai 12, 2009

O Golpe do Baú Amarelo

Se o Diabo é sábio por ser velho, como rege o ditado, então devemos buscar na História a sabedoria necessária para tomar decisões sobre as melhores (e as piores) alianças comerciais, econômicas e tecnológicas para o Brasil. Nossa política externa, por exemplo, tem relegado a terceiro plano os grandes parceiros estratégicos históricos, Estados Unidos e União Européia, a fim de priorizar emergentes como a exótica Índia, a distante Rússia e a nebulosa China. São os chamados BRIC. Isso não vai dar certo. Do alto da sua sabedoria, Walter Benjamin, o pai da História Cultural, alertaria que fazemos parte de civilizações com fundamentos muito distintos. Temos valores opostos e princípios éticos irreconhecíveis. Notadamente com a China, o fosso cultural entre os dois povos é incomensurável. Primamos por nossas raízes iluministas; eles se orgulham em permanecer, literalmente, canibais.

 

A imagem é chocante, mas é verídica. Os chineses insistem no milenar canibalismo. E nós, brasileiros, insistimos que eles têm tudo a ver conosco

Por Hugo Studart

A Índia é a parlapatice cultural desde outono. Até aí tudo bem. É do campo econômico que vem o perigo. A China acaba de desbancar os Estados Unidos como nosso maior parceiro comercial. Oba, oba — festejam empresários oportunistas, diplomatas caolhas e autoridades apalermadas. Entre militares, irritados com a velha arrogância dos americanos, há até quem já esteja iniciando parcerias com a China para a troca de tecnologias estratégicas, como a espacial. Há quem imagine que devemos incrementar os investimentos mútuos, inclusive transferindo nossas indústrias para lá em nome das boas práticas globais. Nossas avós diriam que esse tipo de casamento não dá liga. Ora pois — escreve ainda o mestre Eça, em português castiço – se o Brasil insistir em dar o golpe do baú, se juntando à China por conta dos tostões, essa comédia pode virar tragédia.

A novidade da hora, forjada sabe-se lá por quais basbaques federais, é entregar a fiscalização dos nossos portos os contrabandistas chineses. Como é que é? Isso mesmo! A história é tão simples quanto patética. Continue reading »

jan 12, 2009

Concluam os próprios senhores se Palocci é um homem probo

 

Antonio Palocci ensaia tomar o lugar de Dilma Roussef como candidata do PT à sucessão de Lula. Ou, o que é mais provável, ser o candidato do partido ao governo de São Paulo. O jornal Valor Econômico desta segunda-feira 12 de janeiro publica na primeira página matéria sobre os planos políticos de Palocci. Trata-se de um balão de ensaio, naturalmente. Ocorre que tem telefone no meio do caminho – com provas de que ele teria usado o Ministério da Fazenda para montar (ou facilitar) um esquema de tráfico de influência no governo, a chamada “República de Ribeirão Preto”, ou mesmo mantido contato insistente com a cafetina Jeane Mary Corner, lembram-se dela? Trata-se do número 8111-7197, de Brasília, usado por Palocci quando era ministro da Fazenda.

O sigilo desse número foi quebrado há dois anos. Todos os detalhes estão no processo em poder do presidente do Supremo, Gilmar Ferreira Mendes, no qual Palocci é acusado de mandar quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. O caseiro, vale à pena recordar, trabalhava na mansão no Lago Sul, em Brasília, onde os amigos de Palocci usavam como escritório de lobby e garçonière para orgias. Francenildo viu Palocci várias vezes na mansão. Para tentar desmoralizá-lo, um assessor de Palocci conseguiu quebrar o sigilo bancário do caseiro. Palocci acredita que, depois de absolvido pelo Supremo, ficará livre para tentar ser candidato a presidente. Ou a governador.

Seu maior desafio é conseguir dar um jeito do ministro Gilmar não considerar as provas contidas na quebra do sigilo telefônico. São exatamente 53.385 ligações feitas ou recebidas. Dentre as já identificadas, há 16 chamadas para um número em nome de José Dirceu, 13 para Paulo Bernardo e 7 Armínio Fraga. Há ligações pessoais, como 155 para um número em nome da Sra. Margareth Palocci, sua esposa, e outras 16 para a Sra. Jeane Mary Corner.

O problema principal de Palocci é explicar as chamadas para os principais personagens envolvidos em uma série de casos de possível corrupção relacionados ao ex-ministro.

-    Há 1.748 ligações entre Vladimir Poleto, suspeito de montar, junto com os irmãos Ralf e Ruy Barquete, um esquema de lobby em Brasilia para renovar o contrato da Loteria da Caixa Econômica Federal com a multinacional GTech. Poleto também teria transportado 3 milhões de dólares cubanos para o PT. Palocci negouem depoimento à CPI dos Bingos que conheça Poleto. Continue reading »

jan 1, 2009

Um ritual mágico de gratidão aos amigos

Muito cuidado com os pensamentos pois podem se tornar palavras, rege um velho ditado. E cuidado com as palavras, pois podem virar atos, que se consolidam em hábitos, que se repetidos muitas vezes se transformam em rituais. E, por fim, muito cuidado com os rituais pois tendem a virar realidade.

Isto posto, conclui-se que devemos tomar cuidado com nossos pensamentos pois eles acabam se materializando, criando novas realidades para nossas vidas, caminhos que podem ser longos – por vezes de uma vida inteira. O velho ditado parte do pressuposto de que temos pensamentos negativos. Por isso começa com um alerta.

Ocorre que nossa mente costuma alternar bons e maus pensamentos, luz e trevas, alguns mais luz e otimismo; outros depressão, mágoas e pessimismo – dependendo do momento e do coração de cada um.

Seria muito bom que só conseguíssemos emitir bons pensamentos, pois assim se tornarão boas palavras, que viram atos, que se consolidam em hábitos, que repetidos muitas vezes se transformam em rituais – até que esses rituais materializassem realidades positivas dentro de caminhos do bem.

Já lá se vão bem uns 15 anos (ou mais) que criei um ritual pessoal de passagem de ano, no qual ao final da tarde do dia 31 de dezembro me posto sozinho em algum lugar aprazível para ter bons pensamentos. Sempre acendo um bom charuto.

Primeiro reflito sobre o ano que passou, lembrando-me dos bons e maus momentos. E principalmente das pessoas que de alguma forma me foram importantes. Os maus momentos são queimados numa baforada. Imagino a situação negativa na ponta da brasa, sendo queimada. Os bons amigos são lembrados com outra baforada. Nesse caso, imagino cada um deles sorrindo por conta de uma vitória particular, de algo diferente que desejo para cada um.

E essa é a parte mais importante do ritual. Imaginar algo bom para cada um em gratidão ao que se passou. E uma baforada para cada pensamento positivo – nesse caso, imagino a fumaça subindo rumo ao Universo que tudo vê e tudo provê.

Ao fim e ao cabo, abro meu Livro Negro dos Desejos e passo um bom tempo escrevendo reflexões sobre minha vida e os novos objetivos e metas para o ano que está entrando. O Livro Negro é um caderno comum de atas, desses de capa dura preta e papel pautado que se compra nas papelarias. Ao escrever os desejos, de forma clara, traçando objetivos e metas, ajuda muito a materializá-los.

Sempre leio com atenção, para avalia o sucesso, os objetivos do ano anterior e avaliá-los. Está sempre lá: “Emagrecer até X ou Y quilos”. E todo ano que passa a balança só aumenta. Resultado do progresso na vida. O falecido colunista social brasiliense Emivaldo Mimi Cruz, quando questionado sobre sua barriga imensa, cada vez maior, respondia: “É tudo caviar Beluga e campagne francês”. Tem a ver – espero eu.

Contudo, extraindo-se a questão da meta de perder peso, 80% das metas escritas (ou mais) costumam se materializar. Quando não se materializam no ano planejado, acabam virando realidade no ano subseqüente.

Neste Réveillon dei minhas baforadas na varanda de um flat em São Paulo emprestado pelo meu amigo Helito Bastos. Baforei em gratidão a muitos amigos. O ano de 2008 foi particularmente doloroso para mim, confesso. Comecei 2008 decidindo mudar de vida, fazer uma transmutação radical para vivenciar no cotidiano profissional aquilo que designei “Caminhos do Bem” – o de ajudar a criar novos canais de comunicação que ajudem a construir um mundo melhor. Paradigmas precisam ser quebrados, armaduras tiradas, velhas conquistas deixadas para trás. É o se livrar do velho para abrir espaço para o novo.

Ocorre que ao começar a efetivar aqueles desejos, quando comecei a materializar a completa transmutação, passei a enfrentar situações profissionais difíceis e provações emocionais terríveis. Chama-se isso de dores de um parto. Ai, como dói parir. Mas quanta alegria depois que a criança nasce!

A melhor parte dessas provações foi descobrir quem são os amigos. Tive agradáveis surpresas. Tive a sorte louca de constatar na prática aquilo que eu já esperava e sabia, que minha amada e companheira é de fato uma grande amiga, cúmplice, conivente.  Dei boas baforadas por ela, imaginando-a sorrindo, realizando cada um de seus desejos – os que conheço. Também baforei por meus pais, Jonas e Margarida, sempre presentes, jogando ao Universo os principais desejos de cada um. E para minha advogada Juliana Bisol, que enfrentou comigo, ao meu lado, sem vacilar um minuto sequer, a maior provação do ano.

A melhor parte de uma nova jornada é descobrir os amigos. Alguns, por conta de seus próprios momentos, se colocam a seu lado na luta. Compram as novas idéias, se engajam. Acionados, entram de prontidão. Se você pede, eles dão. A eles sou muito grato, devo muito, muito obrigado a cada um de vocês – abaixo citados.

Outros emprestam o coração, emitem palavras de incentivo, por vezes passam uma mensagem carinhosa por email, ou telefonam para saber como você está, para dizer que leu um artigo ou crônica que cometi, atos singelos para elas, mas que por alguma razão me vieram à lembrança durante o ritual dos bons pensamentos da passagem do ano.

Imaginando algo positivo e diferente para cada um, desta vez baforei por mais de 30 amigos… A cada um de vocês, meus caros amigos, minha gratidão pelo ano que passou – e torcendo para que cada um de vocês, por diferentes razões, continuem presentes na minha vida ao longo de 2009, 2010, 2011… Feliz Ano Novo.

out 12, 2008

Memórias de um pássaro híbrido sobre ditadura –e também a democracia

Sua casa, erguida num canto discreto e bucólico do bairro do Lago Norte, em Brasília, vem sendo há décadas cenário de conspirações, articulações políticas e debate de idéias. Afinal, JARBAS PASSARINHO é personagem proeminente do período republicano que começou com o regime militar de 64, passou pela redemocratização e prossegue pela atual fase de globalização. Coronel de Artilharia, administrador cartesiano, acabou quatro vezes ministro — do Trabalho (Costa e Silva), da Educação (Emílio Médici), da Previdência (João Figueiredo) e Justiça (Fernando Collor). Leitor compulsivo, orador refinado, articulador paciente, destacou-se também como um dos grandes políticos da restauração democrática. Foi eleito senador três vezes, foi governador do Pará e chegou a presidente do Congresso.

Aos 87 anos, seis livros publicados (escreve o sétimo, sobre a Amazônia), dedica seu tempo entre dar consultoria para indústrias e escrever artigos para nove jornais analisando nossa história, esses tempos de política interna conturbada e de inserção do País na economia global. Dias atrás, escarafunchando a memória, Passarinho se lembrou que em fins de 1973, quando terminava a Guerrilha do Araguaia, o general Antônio Bandeira o procurou em segredo para pedir que abrigasse cinco presos políticos. Ele ajudou. As organizações de direitos humanos suspeitam que exatamente cinco dos guerrilheiros do Araguaia teriam recebido nova identidade e depois entrado para a lista de desaparecidos. Passarinho pode ser a chave para desnudar esse episódio ainda não resolvido da história. Na noite de terça-feira 12, ele recebeu os jornalistas Hugo Studart e Rudolfo Lago em sua casa bucólica (Publicada originalmente pela revista IstoÉ):

PERGUNTA – Dentro de alguns dias a Secretaria de Direitos Humanos inicia uma nova tentativa de encontrar os corpos dos desaparecidos no Araguaia. Qual as chances de sucesso?

PASSARINHO – Sou muito pessimista. Acho que numa luta de floresta é muito difícil que se consiga tantos anos depois encontrar corpos de pessoas ali enterradas. Essa é uma luta permanente. Já fizeram várias tentativas. Nada conseguiram. Quando eu era ministro da Justiça, fui procurado por um grupo de parentes de desaparecidos. Me comoveu uma senhora, mãe dos irmãos Petit. Ele perdeu três filhos (Maria Lúcia, Jaime e Lúcio Petit). O que ela desejava era poder dar a cada um deles uma sepultura cristã. Eu concordo com isso e tentei ajuda-la. Mas não consegui informações. Depois eu pensei que seria possível quando um ex-tenente, piloto de helicóptero, aceitou voltar ao local para tentar localizar. Mas ele mesmo não conseguiu. A floresta muda. Os pontos de referência se alteram. Continue reading »

out 6, 2008

Eis o novo Gabeira, um transgressor quase conservador

Fernando Gabeira vem construindo há 40 anos uma biografia de transgressor. Primeiro, lá pelos tempos do regime militar, abandonou a vida burguesa e caiu na clandestinidade da guerrilha urbana –sua maior façanha, vale sempre lembrar, foi participar do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969. De volta do exílio com a Anistia de 1979, chocou o país (e principalmente a esquerda ortodoxa) ao fazer a crítica e a autocrítica da luta armada, vestir uma tanguinha e começar a pregar a política do corpo.

Ontem, 5 de outubro 2008, Gabeira voltou a transgredir. Lula tinha nada menos que três candidatos com chances de virar prefeito do Rio de Janeiro – Eduardo Paes, Marcelo Crivella e Jandira Feghali. Gabeira, apesar do seu partido, o PV, estar na base aliada, não era um deles. Pois Gabeira surpreendeu na reta final.

Na política pós redemocratização, esse político já foi petista, transformou-se em fundador do Partido Verde, voltou ao PT e está de novo no PV – parece que, agora, para sempre. Com quatro mandatos de deputado federal, sempre pelo PV do Rio de Janeiro, é um notório militante das causas ambientalistas, defensor do casamento gay e da legalização do consumo da maconha –só que, agora, recuou para a legalização com nuances.

Enfim, aos 68 anos, duas filha adultas, Gabeira continua buscando os limites da transgressão. Em maio de 2007, eu e o jornalista Rudolfo Lago fizemos uma longa entrevista com Fernando Gabeira, publicada parcialmente na Istoé. Naquela ocasião, ele observava com atenção as transgressões da pauta, como a greve dos servidores do Ibama, a invasão da usina de Tucuruí e a ocupação da reitoria da USP pelos estudantes. O ex-guerrilheiro Fernando Gabeira, quem diria, virou um crítico das transgressões exageradas. Mais, prega mais firmeza das autoridades. A entrevista continua atual, para entender o novo Gabeira – e como ele administrará, se eleito, a cidade mais conflituosa do Brasil.

 PERGUNTA – Chegou a hora da união entre homossexuais?

GABEIRA – Se você entender o casamento como deve ser, sem nenhuma conotação religiosa, mas como uma união entre duas pessoas, mais do que chegou a hora. É como a abolição da escravatura. Será que, de novo, nós só vamos fazer quando já tiver acontecido em todas as outras partes do mundo? O mundo todo está indo nessa direção. Como a estrutura política é muito conservadora, vai ser preciso o povo pressionar, como na abolição da escravatura. E eu acho que a sociedade já está madura para absorver isso. Continue reading »

set 28, 2008

A morte com dignidade

Foram duas notícias no intervalo de minutos. O ator Paul Newman faleceu aos 83 anos. Gostava muito dele como ator, mas principalmente por conta de seu engajamento social e político. Um tio meu, Moacir Matos, também, aos 91. Era-me muito querido, um homem do bem, de quem vou sempre guardar boas lembranças. Estamos sempre sofrendo perdas. Por vezes de ícones, como Paul Newman; às vezes de entes próximos, como meu tio. Dias atrás tive que sacrificar meu cachorro Batu. Senti muito.

Que ninguém me agracie com lágrimas; que o pranto

  Não entristeça meus ritos funerais” — escreveu o poeta Cícero em De Senectute (Da Velhice)

 

A morte de Sócrates: “Devemos um galo a Esculápio”

Recentemente escrevi como gostaria que venha a ser minha morte. Curioso, usei de início a conjugação verbal no condicional, “gostaria que fosse”. Mas a morte é inevitável, a única certeza desta vida, ao lado dos impostos – rege o ditado. Então troquei pela conjugação correta, “venha a ser minha morte”. Continue reading »

set 27, 2008

Como Sêneca me transformou num cronista

Você já pensou sobre suas próprias frustrações, prezado leitor? E sobre as realizações? Andei pensando muito nas minhas. Procurei consolação no filósofo Sêneca. Resultado: acabo de me tornar um cronista sobre os caminhos do bem.

 

Foi Sêneca quem certa feita escreveu: “A verdadeira grandeza é ter em si a fragilidade de um homem e a segurança de um Deus”. Ando lendo o filósofo romano, um dos ícones do estoicismo. Ando atrás respostas para minhas frustrações. Como boa parte da humanidade, ando atrás de caminhos para meus desejos. Ando atrás de decisões.

Tomei uma hoje pela manhã: vou virar cronista. Na verdade, enquanto redigo estas linhas, vou consumando a metamorfose. Um desejo antigo, mantido por longos anos dentro da gaveta das frustrações interiores, vai se transformandoem matéria. Real, palpável, palatável, visível.

Doravante vou escrever crônicas. Senão todos os dias, pelo menos toda semana. E ato contínuo publicá-las no meu blog para compartilhar com os amigos. Se me convidarem para publicá-las também num jornal ou revista impressos, melhor. Eis, meus caros amigos, um ato de fé – esta fé que move montanhas e materializa desejos.

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set 20, 2008

Devolvam os corpos dos desaparecidos

Corpo de Maria Lúcia Petit

Estamos diante de um paradoxo histórico e político. Há brasileiros deixados para trás e só os militares sabem onde estão. Mas resgatá-los é algo complexo. Exige o engajamento dos comandantes das Forças Armadas, para convencerem suas tropas a revelar onde deixaram os corpos. Ocorre que essa operação exige como contrapartida que os grupos de Direitos Humanos também “embainhem” suas “armas”, desmobilizem a campanha em curso de julgar militares por crimes de tortura (Artigo originalmente publicado pelo Jornal O Estado de S.Paulo, pág. 2, Opinião) 

 Por Hugo Studart

Já lá se vão quase 30 anos que familiares dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia entraram com um processo na Justiça exigindo que o Estado informe o destino dos guerrilheiros. O caso deve ser decidido em novembro pelo Superior Tribunal de Justiça. Querem, essencialmente, que as Forças Armadas abram os arquivos secretos da ditadura para que se descubra onde estão os corpos. São  78 desaparecidos conhecidos – 57 guerrilheiros, 20 camponeses e um soldado. Onde estão os cadáveres? As famílias têm direito aos restos mortais. Querem enterrá-los com dignidade, de acordo com seus credos, ritos fúnebres, ajoelhar em contrição, acalentar suas memórias, desejam enfim prestar honras a seus guerreiros

Ora, o direito ao sepultamento digno dos mortos está impregnado no imaginário ocidental, herança de nossa raiz cultural helênica. A mitologia está pontilhada de passagens em que se condena a profanação dos corpos. Historicamente, em pleno século de ouro da Grécia, o general Alcibíades, homem forjado em rígidos valores morais pelo próprio Sócrates, foi julgado e condenado à morte por ter abandonado insepultos os corpos de um punhado de soldados na Sicília. Para eles era uma profanação ultrajante que exigia o castigo máximo.

Há brasileiros deixados para trás e só os militares sabem onde estão. Mas resgatá-los é algo complexo. Exige o engajamento dos comandantes das Forças Armadas, para convencerem suas tropas a revelar onde deixaram os corpos. Ocorre que essa operação exige como contrapartida que os grupos de Direitos Humanos também “embainhem” suas “armas”, desmobilizem a campanha em curso de julgar militares por crimes de tortura. Estamos diante de um paradoxo. Se algum militar que combateu no Araguaia apontar onde enterrou um guerrilheiro, estará automaticamente confessando um ato criminoso. Imprescritível, inafiançável, passível de julgamento pela Corte Internacional de Haia, como quer o atual ministro da Justiça Tarso Genro.

Dias atrás apareceu uma seqüência de fotografias do corpo de dois guerrilheiros. As fotos foram sacadas em setembro de 1972. Um ex-combatente, o sargento Ciro Oliveira, hoje reformado, guardou-as na gaveta por 38 anos. Revelou-as só agora. Um dos guerrilheiros guardava um diário. Foi identificado na hora como sendo o médico e guerrilheiro João Carlos Haas Sobrinho. Do outro, o sargento jamais soube o nome. Numa das imagens, um helicóptero militar leva os dois corpos. O que essas fotos têm de relevantes? Ora, são mais uma prova cabal de que militares, a serviço do Estado, desapareceram com brasileiros. Na Grécia Antiga, o general Alcibíades foi condenado à morte por muito menos.

Até hoje nenhuma autoridade dos governos democráticos pós-1985 quis saber a opinião das famílias dos desaparecidos do Araguaia — sendo 57 guerrilheiros, cerca de 20 camponeses e um soldado, registre-se mais uma vez. Elas querem julgar militares por crimes contra a Humanidade? Ou preferem enterrar seus mortos? Os militares, por sua vez, preferem o fim da guerra e entregar os despojos dos guerreiros inimigos ou permanecer na penumbra da lei da selva?

Os militares cometeram, sim, atos de exceção. Submeteram camponeses a tratos violentos, torturaram guerrilheiros, executaram prisioneiros, vilipendiaram cadáveres, deixaram corpos insepultos, como o de Lúcia Maria de Souza. Cerca de 30 guerrilheiros morreram em combate, como guerreiros. Contudo, outros 25, aproximadamente, foram presos e depois executados. Entre cinco e sete deles foram decapitados, como Jaime Petit e Arildo Valadão. As violações de direitos foram recíprocas.

O primeiro cadáver deixado insepulto foi o de um soldado, o cabo Odilo Rosa. O comandante guerrilheiro Osvaldo Orlando Costa queria expô-lo insepulto como troféu da revolução. O primeiro civil executado pelos guerrilheiros foi um camponês, o adolescente João Pereira, 17 anos. Seu pai foi visitado por uma equipe de agrônomos do INCRA perguntando pelos “paulistas”, como eram chamados os guerrilheiros. O garoto recebeu ordens do pai para servir de guia. O chefe dos “agrônomos” era o major Lício Maciel, cuja equipe prendeu José Genoíno e matou outros 12. Deflagrada a guerrilha, o garoto João Pereira foi julgado como “traidor do povo” pelo Tribunal Revolucionário e mutilado, na frente da família, a golpes de facão – primeiro cortaram-lhe as orelhas, depois as mãos, os pés, as pernas… Outros quatro também foram executados pelo Tribunal Revolucionário, sendo três camponeses e um guerrilheiro, acusados de colaboração e traição.

No início, em 1972, os militares combateram segundo as leis da guerra. Quem morreu tombou lutando, quem foi preso está vivo. As fotografias de Haas Sobrinho são dessa fase. Mas quando entraram na selva para a Terceira Campanha, em fins de 1973, com ordens do presidente Emílio Médici de não fazer prisioneiros, a barbárie se generalizou. Nenhum prisioneiro retornou. Nem como cadáver.  As Forças Armadas deixaram o Araguaia em fins de 1974.

É possível resgatar muitos corpos. Há uma década venho pesquisando a guerrilha junto aos próprios militares. Eles me informaram que cerca de 25 estão enterrados nos cemitérios de Xambioá e Marabá. Os demais foram deixados na mata. Mas o local dessas sepulturas jamais foi registrado nos arquivos. Será preciso recorrer àqueles que participaram das missões. Em 1975 o Exército voltou ao Araguaia para a chamada “Operação Limpeza”. Entre 12 e 15 corpos foram exumados e cremados, entre eles o de Osvaldão.

Ainda haveria uma dúzia de corpos nos cemitérios da região, na ala dos indigentes. O corpo do guerrilheiro Rosalindo Cruz Souza estaria num barranco de rio no sítio de João do Buraco, camponês conhecido na região. Sem cabeça. Há um corpo na cabeceira da pista de pouso de Marabá. E três corpos numa área de treinamento militarem Brasília. Hátrês desaparecidos que mudaram de lado e estão vivos, sob nova identidade.

É muito difícil que algum militar se ofereça à imolação pública promovida pelas entidades de Direitos Humanos revelando o que sabe sobre os corpos. Cabe ao governo perguntar seriamente às famílias dos guerrilheiros mortos o que preferem: julgar os militares pelos crimes bárbaros que cometeram? Ou patrocinar uma conciliação histórica que comece revelando os erros dos dois bandos naquela guerra suja. Uma anistia recíproca que começaria com a indenização das famílias do cabo Rosa e de cinco outros soldados abatidos em combate; do garoto João Pereira e dos demais camponeses esquecidos; e que termine na localização e devolução de todos os cadáveres.

A professora Sônia Haas, irmã de João Carlos, se confessa num “dilema complexo”. Seu coração prefere encerrar a história do irmão “com a dignidade que ele merece”. E para ela e sua família, forjada no catolicismo, digno é dar a João Carlos um ritual de despedida e uma sepultura. “Mas a razão pede mais, exige que os culpados sejam julgados”, acrescenta Sônia. “Meu dilema é bastante complexo, pois quero alcançar as duas coisas”. Eis uma encruzilhada da História.

Defendo o direito sagrado e inalienável das famílias de se ajoelhar diante do túmulo de seus guerreiros. Não há mortos de esquerda ou de direita para as famílias dos guerrilheiros e dos militares mortos em combate. Há mortos, há cadáveres, tem que haver paz. A sociedade brasileira não pode ficar refém ad eternum de uma guerra que ela não quis, não quer e não vai querer que continue manchando a história nacional.

ago 27, 2008

Efeito Plutão na queda das bolsas de valores

Maktub, maktub. Está tudo escrito nas estrelas, ensina o brasileiro de maior prestígio no planeta, o imortal Paulo Coelho. Estava escrito que os Estados Unidos quebrariam este ano a espinha dorsal da sua economia – e que as bolsas de valores iriam para o beleléu. Um astrólogo escreveu isso. E publicou. Previu que as estruturas planetárias começariam a se desmanchar em 2008 com o trânsito de Plutão e sua entrada no signo de Capricórnio.

Do que se trata? Ora, não sei com precisão o que significa a entrada de Plutão em Capricórnio. Só sei que me lembrei das previsões do astrólogo Francisco Seabra quando li as primeiras notícias da nova crise financeira internacional. Ano passado ele havia me falado que 2008 seria de grandes conturbações. Terremotos, furações e outros efeitos do aquecimento global. Também haveria muita conturbação política e social, muita violência. E, principalmente, catástrofes financeiras, em especial no centro do império global, os Estados Unidos.

“Chico, escreve isso e publica”, sugeri. Ele escreveu, em forma de conferência.

Chico Seabra é filho e discípulo de Geraldo Seabra, um dos maiores astrólogos deste País, hoje aposentado. Há 10 anos, a meu pedido, fez previsões sobre o governo Fernando Henrique Cardoso, que publiquei na revista Manchete. Foram previsões impressionantes, de grande impacto na época. Entre suas previsões, uma crise econômica iminente e a perda (por morte) de colaboradores essenciais para FHC. Logo depois de publicada a matéria, veio a crise financeira da Ásia e da Rússia. Em paralelo, morreram Sérgio Motta e Luiz Eduardo Magalhães, dois baluartes do governo FHC.

Seabra é um dos fundadores do Centro de Estudos Parapsicológicos da UnB. Seus estudos astrológicos costumam ter em média 80% de acertos. Convidei-o para ser colunista deste site. Ele aceitou, mas só escreveu um único artigo, esse aí sobre Plutão. Seabra morre de preguiça de escrever. Mas é um bom astrólogo.

Feita a apresentação, vamos ao que interessa – Plutão e a quebra das bolsas de valores. Vou reproduzir os principais trechos da conferência de Seabra sobre o assunto. Assim as explicações ficarão mais precisas: Continue reading »

ago 25, 2008

Yankees, go home!

Recuse-se a assinar qualquer confissão de dívida com a Eletropaulo, maior distribuidora de energia da América Latina. Controlada pelos americanos da AES, a Eletropaulo usou métodos de Al Capone e coagiu milhares de consumidores a pagar supostas diferenças nas contas de luz de até 15 anos atrás. Era assinar uma confissão de dívida ou ter a luz cortada — o nome sujo no SPC. É “abuso”, “coação”, “absolutamente ilegal”, avisa o Ministério Público. Alerte os amigos e vizinhos. O MP agora está acionando a Eletropaulo para que devolva o dinheiro recebido indevidamente de consumidores. Entregar a Eletropaulo a esses americanos (quase de graça) foi a grande herança maldita de FHC.

Esse é, definitivamente, um daqueles casos de deixar o cidadão brasileiro indignado, do início ao fim. Os americanos ficaram com a Eletropaulo numa grande mamata do governo Fernando Henrique. Em 1998 tomaram um empréstimo de US$ 2 bilhões do BNDES, sem garantias reais, enviaram US$ 900 milhões de supostos lucros para a matriz nos Estados Unidos e ainda por cima não pagaram o empréstimo. Devem US$ 1,3 bilhão. Num passe de mágica, ficaram com uma empresa que detém o monopólio de um serviço essencial, companhia estratégica, que fornece energia para quase metade do parque industrial brasileiro. Não foi uma privatização, mas uma proto-doação. Como naqueles negócios em que um pai empresta dinheiro a um filho para comprar o imóvel do próprio pai. Continue reading »

ago 13, 2008

Para ter pão barato, só dando bananas aos argentinos

Gito Chammas me telefonou para contar que o pãozinho barato está quase garantido até junho de 2009. Gito é como os amigos tratam o industrial Jorge Chammas, presidente do Grupo São Jorge e dono do maior moinho de trigo do país. Foi ele quem liderou a Guerra do Trigo, que desde fins de 2007 mobiliza os moinhos contra a obrigatoriedade de importar trigo caríssimo da Argentina. Foram meses de embates.

Foi Chammas quem primeiro denunciou os argentinos. Na seqüência bateu no Itamaraty, pediu ajuda no Congresso, negociou com ministros. A associação do setor, Abitrigo, chefiada por Laurence Pih, petista histórico, não queria incomodar demais o governo do amigo Lula. Mas Pih teve que correr atrás de Chammas para não se desmoralizar. Eram tantas as frentes abertas pelo industrial para resolver o problema, que ganhou dos adversários o apelido de “Agito em Chamas”. Alcunha carinhosa, admita-se, nada deletéria.

Havia o sério risco de ficarmos sem trigo a partir de julho. E com explosão de preços. Em maio, contra a vontade dos argentinos e do Itamaraty, os moinhos brasileiros conseguiram arrancar do nosso governo a decisão de suspender temporariamente os impostos sobre importação, venda e transporte de trigo. Agora Chammas conseguiu outra vitória no Congresso. A Câmara acaba de aprovar a MP do Trigo. Na última hora, o relator Arnaldo Faria de Sá, seu amigo pessoal e aliado na política paulista, incluiu uma emenda prorrogando até 30 de junho de2009 aisenção do IPI e da Cofins sobre o produto. Continue reading »

ago 8, 2008

Hora de usar o Espírito Olímpico para boicotar a tirania da China

Atletas e cidadãos de todo o mundo se mobilizam para denunciar o regime tirânico na China. Alemães, canadenses, brasileiros aproveitam as Olimpíadas para chamar a atenção sobre o certo e o errado. Até George W. Bush, desta vez, está fazendo a coisa certa. Mas nosso presidente Lula silencia. Está na China para bajular os chineses por interesses comerciais. É a diplomacia do capitalismo selvagem. Está fazendo como Lord Chamberlain, que em nome dos interesses britânicos, deixou Hitler avançar. Abaixo, tem um link para aderir à campanha mundial para levar o verdadeiro Espírito Olímpico a Pequim: 

Mobilizações de ativistas brasileiros pela Liberdade

Por HUGO STUDART

Bem longe daqui, lá nas montanhas geladas do Himalaia, há neste momento mais de 10 mil cidadãos encarcerados por razões políticas. Foram presos pelo governo chinês porque não aceitam a invasão militar de seu país. A China, vale lembrar, ocupou há 58 anos o Tibet, terra de um povo singular, que não guarda qualquer relação cultural ou história com a China. Massacravam monges, prenderam dissidentes, criaram uma nova diáspora. Liderados pelo dalai lama Tenzin Gyatson, há hoje 80 mil tibetanos no exílio.

Toda hora chega ao ocidente algum novo refugiado com relatos de torturas com choques elétricos. Mas os tibetanos resistem, fazem barulho. Ano passado promoveram uma campanha internacional para que o dalai lama falasse na ONU. Agora aproveitam as Olimpíadas de Pequim para denunciar a barbárie, numa campanha internacional justa – e que está dando resultados concretos.

Os atletas estão aderindo. No início não passavam de alguns gatos-pingados canadenses. Depois atletas alemães aderiram. Ingleses, franceses, americanos. Pelas informações que chegam, já seriam centenas de atletas que vão aproveitar as provas olímpicas para marcar posição política. Logo serão milhares. Ainda não ouvi falar de nenhum atleta brasileiro aderindo. Uma pena. Mais que isso, uma vergonha.

A China, por seu lado, reage. Com censura, repressão e propaganda política. Censura a internet e os jornais. Reprime a oposição interna e das nações vassalas. Apresenta um discurso de respeito ao tal “Espírito Olímpico”. Ora, o verdadeiro Espírito Olímpico é o da liberdade, da igualdade e da fraternidade entre os povos.

Dias atrás explodiu uma bomba na província de Xinjiang, onde há 8 milhões de uigures, população de maioria islâmica e que tem pretensões separatistas. Quando vi a imagem dos uigures na televisão me assustei. São todos de pele clara e olhos amendoados. Lembram os iranianos, sendo mais claros. Não têm qualquer traço oriental.

Os uigures não são chineses. Como os tibetanos também não são chineses – e travam uma luta justa para se livrar da tirania da China. Liderados pelo dalai lama, os tibetanos usam métodos da paz. Os uigures recorreram ao terrorismo. O terror é injustificável. Execrável. Precisa ser combatido com vigor. Mas os uigures não são chineses. A China está usurpando a liberdade de 8 milhões de uigures e eles e eles explodiram soldados chineses, às vésperas das Olimpíadas, para chamar a atenção do mundo para a sua causa.

E o que nós temos a ver com isso?

Abertura suntuosa dos Jogos Olímpicos de Pequim: uma maneira de tentar ofuscar as trevas da opressão

Neste momento, bem perto daqui, há mais de 10 mil empresários brasileiros tentando fazer algum tipo de negócio com a China. Querem vender. Houve um tempo em que a comunidade internacional boicotava com sanções econômicas o regime de apartheid da África do Sul. Chamava-se isso de princípios universais em defesa dos direitos humanos. Até que um dia o apartheid ruiu.

            No caso da China, todos correm para bajulá-los. Chama-se isso de pragmatismo diplomático. Prefiro definir como diplomacia do capitalismo selvagem.

Meses atrás um grupo de deputados fez uma viagem a Taiwan, a ilha onde se abrigaram os capitalistas quando o comunismo triunfou no continente. Os deputados retornaram entusiasmados com as possibilidades de negócios. Mas o Itamaraty vetou.

Há três décadas o Brasil rompeu relações com Taiwan e optou pela China. O Itamaraty enviou uma carta aos deputados recomendando que “evitem atos e pronunciamentos sobre aquela ilha”. Logo depois chegou ao Brasil uma delegação de empresários de Taiwan para tentar conversar com o governo brasileiro. O Itamaraty fingiu que não era com eles. Só faltou muito pouco para recomendar aos políticos que também não se falassem contra a tortura e as violações dos direitos humanos no Tibet.

Diante de situações extremadas, como a opressão política, tibetanos chegam a cometer atos absolutamente insandecidos, como a autoimolação

Lula chegou à China com essa recomendação absurda, alienando-se, protegendo-se, mantendo-se em obsequioso silêncio. Lula parece Lord Chamberlain pisando-em ovos para não desagradar a Hitler e aos nazistas. Em nome dos interesses comerciais britânicos, Chamberlain criou a chamada “política guarda-chuva” e deixou Hitler avançar por toda a Europa. Até Bush, que tem muitos erros, neste caso está fazendo a coisa certa. Lula prefere se esconder debaixo de um guarda-chuva que só protege a si mesmo – e o resto se dane na chuva da tirania chinesa.

Mapa da invasão

Aqui no Brasil está na pauta de debates políticos a revisão da Lei da Anistia para julgar militares acusados de tortura. O argumento é o de que a tortura é um crime hediondo (e de fato é hediondo!), e que as leis universais dos Direitos Humanos deveriam estar acima das leis nacionais. Também concordo.

O paradoxo é que o mesmo governo que fala em julgar ditadores brasileiros que torturaram há mais de 30 anos atrás, finge não ver os crimes hediondos que neste exato momento estão sendo cometidos pelo regime tirânico da China. Tudo em nome dos nossos interesses pragmáticos.

Ora, isso não é pragmatismo. Mas a selvageria do capitalismo.

 

jul 30, 2008

O homem-farol e a vocação agrícola do Brasil

“Quem foi a figura histórica que mais contribuiu para a agricultura brasileira?”, indagou Kátia Abreu, senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura.

“Foi o barão de Mauá, pois com a estrada de ferro ele criou a logística”, respondeu um amigo de Kátia.

“Foi o Alison Paulinelli, que iniciou a conquista do cerrado”, respondeu outro.

“Foi o Roberto Rodrigues, que abriu os mercados globais”, disse mais um.

“Nenhum deles”, arrisquei intervir na conversa. “Foi o professor Eugênio Gudin, sem dúvida”.

Kátia virou os olhos para cima, como quem puxa informações da memória e me perguntou por quê? Raposa velha que é, o ex-senador Jorge Bornhausen acha Kátia perspicaz. Gudin era informação diferente para ela. “Por quê?”, insistiu.

“Porque foi ele o primeiro a defender com fervor nossa vocação agrícola, ele dizia há mais de 50 anos que o papel natural do Brasil era o de ser o celeiro da humanidade”, respondi. “Ele é o pai do liberalismo econômico brasileiro”, insisit. “Então escreve um artigo defendendo Eugênio Gudin”, sugeriu Kátia. Eis: Continue reading »

jul 27, 2008

Quando um cacaçor de torturadores acusa um cidadão sem indicar quando e contra quem ele teria cometido excessos

O historiador Jarbas Silva Marques me procurou para denunciar que um torturador acaba de virar presidente da Academia Brasiliense de Letras. Segundo ele, o poeta, escritor, empresário e líder maçônico José Carlos Gentili, que tomou posse na semana passada na presidência da ABL, seria o ex-delegado federal José Carlos Gentil, incluído no livro “Brasil: Tortura Nunca Mais”, obra da Arquidiocese de São Paulo que enumera 444 supostos torturadores do regime militar brasileiro.

Gentili, ex-policial, hoje lider da Maçonaria

De acordo com Jarbas, Gentil teria trocado de identidade por volta de 1989, aproveitando-se da “Lei dos Oriundi”, aprovada na Itália. Foi então que o ex-policial Gentil, que em 1985 havia sido denunciado pelo próprio Marques, teria emergido como o empresário Gentili, escritor e festejado líder dos pioneiros de Brasília, Grão-Mestre Vitalício da Grande Loja Maçônica do Distrito Federal.

José Carlos Gentili confirma, através de um amigo, que de fato é o delegado José Carlos Gentil. Que serviu na PF na época do regime militar. Era delegado federal concursado. Mas que nunca foi torturador. Neste momento nosso amigo em comum está intermediando uma entrevista exclusiva com Gentili.

Jarbas Marques é um dos mais conhecidos “caçadores de torturadores” do País. Foi membro da Juventude Comunista, do velho partidão; virou militante do PC do B; foi preso em 1967, torturado, ficou na cadeia por dez anos, até 1977. Nos anos 80, ele identificou cerca de 30 militares e policiais que entraram na lista de torturadores do “Brasil: Tortura Nunca Mais”. Continue reading »

jul 17, 2008

Como Luis Favre, o marido de Marta Suplicy, apareceu com duas contas em Cayman

Eis os números, para inicio de conversa – contas 60.356356086 e 60.356356199, do Trade Link Bank nas Ilhas Cayman. Agora, vamos á história

 

Felipe Belisario Wermus, argentino por nascimento e cidadão francês por adoção, é personagem central das eleições para a Prefeitura de São Paulo. Você o conhece, prezado leitor, mas por outro nome Luís Favre – codinome pelo qual Felipe é chamado nos bastidores da esquerda brasileira. Companheiro da candidata do PT à prefeitura, Marta Suplicy, Favre é seu braço direito, melhor amigo, amado, confidente, conselheiro-chefe, estrategista-mor, tesoureiro-oculto. Favre é o principal baluarte de Marta. É também seu ponto mais fraco.

A Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo têm informações explosivas sobre o companheiro de Marta Suplicy. A suspeita é a de que um senhor chamado Felipe Belisário Wermus seria o principal elo entre o PT e um esquema internacional de arrecadação de dinheiro a partir dos serviços de coleta de lixo nas capitais brasileiras. Esse esquema teria funcionado em prefeituras controladas pelo PT, como São Bernardo, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Campinas e São Paulo. A Vega, multinacional francesa de serviços, seria o elo empresarial do esquema.

A PF suspeita que a Vega controle um grupo de empreiteiras que ganham licitações superfaturadas para a coleta de lixo. Em média, 10% de superfaturamento, sendo 5% para as empreiteiras, e 5% para o caixa do PT. Esse dinheiro era todo repassado ao doleiro Toninho da Barcelona, que o depositava em contas em paraísos fiscais controladas por um tal Felipe Belisario Wermus. Esse dinheiro voltava ao Brasil também por intermédio de Barcelona.

As autoridades têm os bancos e os números das contas no exterior, publicadas abaixo. O esquema teria sido montado antes da eleição presidencial de 2002. Se Delúbio Soares e Marcos Valério montaram o Caixa Dois do PT no governo Lula, estamos diante da suspeita de que Luís Favre, hoje favorito para se tornar o primeiro-companheiro de São Paulo, caso Marta seja eleita, tenha montado o Caixa Zero.

Vamos aos fatos: Continue reading »

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