Na mais antissocial das experiências da vida

Reconheço que o mundo de fora seja lindo. Mas preciso fechar minhas janelas por um tempo

Há muito que escuto falar que a redação da tese de doutorado seria a mais solitária das experiências humanas. Tenho dúvidas. Pois há inevitável experientia da morte. Quanto à redação de uma tese, posso garantir que é uma experiência absolutamente antissocial.

 
Decidi me recolher ao sitio em Pirenópolis, Goiás, um santuário ecológico ao pé da Serra dos Pireneus, a fim de buscar concentração total para escrever. Lá na serra, o sinal do telefone não costuma pegar. Internet? Nem pensar. Isso ajuda em minha moratória longe dos problemas da vida na cidade, como também de quaisquer soluções que não sejam pensar em Filosofia da História. Meu cotidiano será de recolhimento até o final da tarde, quando planejo ir à cidade para ver a internet. Como agora. Aproveito para relatar aos amigos meu primeiro dia em reclusão acadêmica.

Acordei às 6 horas, sem despertador, antes mesmo do galo cantar. No campo ganho energia. Comecei a escrever antes do sol nascer. Só quanto terminei um bom trecho, lembrei-me de que estava com fome e deveria tomar o café. Já eram 10h30. Por volta das 14h30, Cida, a prestimosa caseira, perguntou se eu queria almoçar. Lembrei-me novamente de que saco vazio não pára em pé. Trouxe-me um prato, devorado em frente do computador. Só parei para ir à cidade depois de terminado um capítulo.

Com esses horários, viramos ogros sociais, péssimas companhias. Não é uma experiência necessariamente solitária, pois a todo momento precisamos consultar amigos, colaboradores e fontes. Contudo, posso garantir aos amigos que é a mais antissocial delas. Em breve retorno ao mundo.

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