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jan 24, 2013

Na mais antissocial das experiências da vida

Reconheço que o mundo de fora seja lindo. Mas preciso fechar minhas janelas por um tempo

Há muito que escuto falar que a redação da tese de doutorado seria a mais solitária das experiências humanas. Tenho dúvidas. Pois há inevitável experientia da morte. Quanto à redação de uma tese, posso garantir que é uma experiência absolutamente antissocial.

 
Decidi me recolher ao sitio em Pirenópolis, Goiás, um santuário ecológico ao pé da Serra dos Pireneus, a fim de buscar concentração total para escrever. Lá na serra, o sinal do telefone não costuma pegar. Internet? Nem pensar. Isso ajuda em minha moratória longe dos problemas da vida na cidade, como também de quaisquer soluções que não sejam pensar em Filosofia da História. Meu cotidiano será de recolhimento até o final da tarde, quando planejo ir à cidade para ver a internet. Como agora. Aproveito para relatar aos amigos meu primeiro dia em reclusão acadêmica.

Acordei às 6 horas, sem despertador, antes mesmo do galo cantar. No campo ganho energia. Comecei a escrever antes do sol nascer. Só quanto terminei um bom trecho, lembrei-me de que estava com fome e deveria tomar o café. Já eram 10h30. Por volta das 14h30, Cida, a prestimosa caseira, perguntou se eu queria almoçar. Lembrei-me novamente de que saco vazio não pára em pé. Trouxe-me um prato, devorado em frente do computador. Só parei para ir à cidade depois de terminado um capítulo.

Com esses horários, viramos ogros sociais, péssimas companhias. Não é uma experiência necessariamente solitária, pois a todo momento precisamos consultar amigos, colaboradores e fontes. Contudo, posso garantir aos amigos que é a mais antissocial delas. Em breve retorno ao mundo.

set 28, 2012

Suba em paz, meu caro professor de como ser macho-alfa, mas com ética

Ele era o único ícone de carne-e-osso em nossos mais remotos ensaios para algum dia virarmos machos-alfa. Um gostava do Superman. Outro, do Aranha. Eu queria ser o Batman. Mas nas brincadeiras de luta-livre dos moleques de rua, todos queríamos ser o Teddy-Boy Marino.

Nas noites de sábado, fim dos anos 60, parávamos tudo para assistir às lutas do Telecatch. Era tudo muito ingênuo, uma grande marmelada na qual os mocinhos como Teddy-Boy eram de início massacrados pelo jogo-baixo, as joelhadas e as vilanias de lutadores como Verdugo, Fantomas, Leopardo e Índio Paraguaio. Mas ao final, o Bem vencia o Mal. Quando a turma de moleques se encontrava, tentávamos repetir as lutas. Ninguém sentia-se à vontade encarnando os vilões.

Soube há pouco que Teddy Boy Marino faleceu, aos 73 anos. Era imigrante italiano. Seu nome: Mario Marino. Ao fim das transmissões do Tele-Catch, em 1972, começou a carreira de ator. Atuou muito com “Os Trapalhões”.

Olhando para trás, constato ter sido ele meu primeiro coach nos treinamentos para macho-alfa. Ensinava a lutar. Mas sempre com ética. Os heróis e ídolos daquele tempo, todos eles, buscavam forjar as crianças dentro de um sistema de valores anti-maquiavélico, cuja ética sobrepujava a necessidade de vitória. O espelho-invertido do que o PT vem pregando de uns tempos para cá.

Teddy Boy Marino fazia parte do imaginário daquele tempo. Mas para uma geração de brasileiros, pode ter representado um farol. Cujo facho de luz foi muito maior do que sua silhueta.

Suba em paz, velho amigo. E aos leitores, compartilho video no qual Teddy-Boy luta contra El-Rino http://www.youtube.com/watch?v=MWDdk6UTulc

 

set 19, 2012

No aniversário do mestre Tolkien, a encruzilhada mágica entre História e Mito

Hoje completam-se 75 anos da publicação de “The Hobbit”, livro que deu origem à saga “O Senhor dos Anéis” (The Lord of the Rings). Dia 22 de setembro, junto com a primavera, os personagens Bilbo e Frodo completam aniversário.

Devia ter eu 15 ou 16 anos quando conheci a saga de “O Senhor dos Aneis”. Um único livro, velho e desgastado. Naquela época, em portugueê, havia somente uma edição lvsitana, em seis volumes, sendo o sétimo o livro “O Hobbit”. Não sei se o primeiro que me chegou ao olhos foi o volume dois ou três. Mas não foi o primeiro. Comecei a correr mundo atrás da saga completa, volume por volume.

Ao longo de três anos, sempre que avistava algum sebo, entrava à procura de algum dos volumes ainda não adquiridos. Terminei a leitura depois dos 18 anos, já na universidade, no exato momento em que a saga foi editada no Brasil, em três grossos volumes.

Acho que foi através de Tolkien que tomei consciência de ser um idealista, um sonhador. Foi meu primeiro contato com a mitologia, antes mesmo de começar a conhecer as sagas de Prometeu, de Ulisses e de Heitor de Tróia através de meu mestre Fernando Bastos. Hoje, repleto de cabelos brancos, estou cada vez mais próximo dos mitos. Cada vez mais convencido do encontro mágico entre realidade e ficção, História e Mito, matéria e espírito, passado, presente e futuro.

Parabéns, mestre Tolkien.

ago 30, 2012

Da série: os limites entre o jornalista e a fonte – 3

Celso Amorim faz o tipo simpático e suave. É extremamente culto, mas sem pedantismo. Conheço-o há quase 30 anos. Foi meu professor no curso de Ciência Política na UnB. Depois foi minha melhor fonte quando ele era assessor internacional do Ministério da Ciência e Tecnologia e eu, um mero foca, cobria a guerra comercial do Brasil com os EUA por conta da reserva de mercado em informática (lembram-se?).

Quando virou chanceler do governo Lula, aproximei-me muito dele. Recebeu-me todas as vezes que precisei. Atendia o telefone em qualquer parte do mundo. Agora, como ministro da Defesa de Dilma, continuo podendo usufruir desse acesso especial à fonte.

Obviamente, acabei criando simpatia pessoal por Amorim. Contudo, acredito que tenha conseguido separar a empatia pessoal dos deveres profissionais. Escrevi e publiquei dezenas de matérias ou artigos criticando a gestão de Amorim no Itamaraty. Alguns bastante contundentes, em especial sua política de aproximação carnal com os BRIC’s e com os regimes ditatoriais do Oriente Médio e América Latina . Ele, por sua vez, sempre conseguiu separar o jornalista do ex-aluno. Em geral escalava um assessor para reclamar com o jornalista. Por vezes ele mesmo reclamava. Mas jamais deixou de tratar o ex-aluno com deferência especial.

ago 30, 2012

Da série: os limites entre o jornalista e a fonte – 2

Guido Mantega faz o tipo tímido e introspectivo. É afável. Mas não é o tipo de autoridade que costume manter relações pessoais com jornalistas. Ao contrário, procura manter distância regulamentar. O “fontismo” em Brasília é a regra. Jornalistas e fontes acabam entabulando relações pessoais acima do recomendável, até mesmo relações sexuais.

Jornalistas, historiadores, sociólogos, advogados, etc –somos todos seres humanos e cidadãos. Como médicos se emocionam com alguns pacientes ou professores têm predileção por alguns alunos, é compreensível que acabemos criando simpatias ou antipatias por algumas fontes. Assim, posso até visitar na cadeia os simpáticos João Paulo Cunha e Delúbio Soares. Como também tenho o direito de me recusar a apertar a mão de certas figuras. Mas simpatias e antipatias pessoais devem ser exceção. A racionalidade profissional precisa ser a regra.

No caso de Guido Mantega, sempre mantive com ele uma relação meramente profissional, desde os tempos em que era um assessor econômico do PT. Acredito que todos os textos que já escrevi sobre ele e seu trabalho, reportagens ou artigos, tenham sido positivos. Mas foram frutos de avaliações racionais. Subjetivas, como tudo que se refere às ciências humanas, mas dentro do esquadro da racionalidade.

Quanto a esta foto, recebi-a recentemente de presente do jornalista Ramiro Alves (o calvo, de pé). Ele era assessor de imprensa do Ministério da Fazenda na época dessa entrevista. Ao lado, de bigodes, o jornalista Ricardo Moraes.

ago 30, 2012

Quais os limites entre um profissional e a fonte de informação?

 

Residência oficial da Presidência da Câmara: João Paulo Cunha com os jornalistas Hugo Studart e Carla Spegiorin

É curioso eu ter encontrado essa foto antiga, de 2005, no exato dia em que o deputado João Paulo Cunha, do PT, teve a certeza de que será condenado pelo Supremo no processo do mensalão. João Paulo era presidente da Câmara dos Deputados. Eu era editor da revista IstoÉ Dinheiro; estava nesse café-entrevista com a repórter Carla Spegiorin.    João Paulo estava, nessa época, em plena fase de pegar dinheiro com Marcos Valério. Mas ainda não se sabia disso; o mensalão não havia estourado.

Sujeito simpático, esse João Paulo. Afável, conversa boa. Os petistas eram, em sua maioria, a personificação da arrogância. João Paulo, a encarnação da simplicidade. Impossível não gostar dele. Também era uma boa fonte de informação. Tinha bons bastidores a revelar.

Há politicos e autoridades os quais não quero como fonte. Recuso-me até mesmo a apertar a mão. O mais grave é que orgulho-me dessa inflebilidade  –algo não recomendável para um profissional da informação. A maior parte das autoridades , contudo, consigo conviver numa boa, mesmo sabendo que nosso sistema político alimenta-se de caixa 2. Eu conversava tranquilo com o saudoso PC Farias. Um dos meus orgulhos foi ter “descoberto” PC, ainda nas primeiras semanas do governo Collor. Continue reading »

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