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mar 8, 2013

Uma breve história da longa luta pela liberdade das mulheres

Desde  Julia, a heroína do romance de Rousseau, até a SlutWalk, a Marcha das Vadias, há pelo menos 250 anos as mulheres vêm lutando por direitos óbvios como o da livre escolha afetiva, o divórcio, a igualdade laboral e o direito de votar. No islã, mulheres ainda são apedrejadas em nome de Allah; na África, 150 milhões sofreram extirpação clitoriana; na Índia, um cotidiano de estupros e casamentos arranjados; na China, 240 milhões de meninas recém-nascidas foram assassinadas nos últimos 30 anos. Equivale a 40 Holocaustos. Mesmo em nosso Ocidente pós-moderno e globalizado, perduram incrustradas a misogenia e a violência doméstica. No Brasil, a Lei Maria da Penha já enquadrou mais de 300 mil agressores. Há algo errado mesmo nas sociedades onde, acredita-se, há pelo menos duas gerações as mulheres teriam alcançado a emancipação plena

EUA, 1910: quando as mulheres lutavam pelo direito ao voto e à igualdade laboral com os homens

por Hugo Studart

Em meados do Século XVIII as mulheres não valiam quase nada em toda e qualquer parte do mundo. Até que Jean-Jacques Rousseau causou frisson por toda Europa com um romance, Julia — ou A Nova Heloísa (1761), no qual a heroína provocou emoções e conquistou a empatia dos leitores em sua busca pelo direito de livre escolha afetiva, dando início à discussão sobre a emancipação da mulher e ajudando a pavimentar o caminho para aquilo que, anos mais tarde, ficou conhecido pela expressão Direitos Humanos.

O subtítulo do romance, ou A Nova Heloísa, referia-se à uma das mais conhecidas e dramáticas histórias de amor do cantadas pelos narradores medievais, Abelardo e Heloísa, no qual uma jovem de boa estirpe apaixona-se por seu professor, um filósofo e clérigo católico. Aos 17 anos, Heloísa entrega-se de corpo e alma a Abelardo, 37. Pelo ponto-de-vista daquele tempo, Abelardo seduziu a pura e inocente Heloísa. O romance é descoberto, os amantes passam a se encontrar escondidos nos locais mais inusitados –até mesmo nas sacristias – têm um filho, casam-se escondidos e, por fim, Abelardo é punido pelo tio da jovem com a castração. Envergonhado, interna-se num mosteiro e pede que Heloísa faça o mesmo, num convento.

Viam-se diariamente, mas nunca mais se tocaram. Nem mesmo trocaram palavras orais. Contudo, dedicam a vida a trocar lindas cartas de amor, nas quais Heloísa expressava toda a sua dor pela triste sorte do seu amor, como também sua revolta pelo destino – prisioneira em um hábito religioso que lhe escondia todo o corpo, e de um véu a cobrir a cabeça para lhe emprestar o recato que não tivera antes. Abelardo morre no ano 1142, aos 63 anos; Heloísa viveria mais 20 anos. A seu pedido, foi sepultada ao lado de Abelardo. Suas trágicas histórias permaneceram vivas. Suas cartas, continuam inspirando ousadia às jovens que porventura precisem dar vazão aos desejos de liberdade afetiva. Seu véu e hábito religiosos, símbolos maiores do cárcere sexual ao qual foi submetida, mantêm-se desfraldados na maior parte das sociedades humanas. Seus túmulos, no Cemitério de Pére Lachaise, Paris, são locais de romaria de amantes apaixonados. Continue reading »

set 25, 2012

As imprudências de Ana Prudente na luta pelos deficientes físicos

Ela mobilizou famílias, procurou autoridades, organizou passeatas de mães carregando filhos nas costas rumo às escolas como se fossem sacos de batatas. Eis a história de Ana e seu filho Denis –ela uma mãe-leoa que luta por uma vida menos dura para os portadores de necessidades especiais

Saindo do hospital em 1984, Ana Prudente entrou em choque. Paralisada, apavorada. “Não me lembro nem como consegui dirigir até a minha casa”, se recorda. Ela havia acabado de receber a notícia: seu filho fora  diagnosticado com paralisia cerebral. Dênis não iria andar, falar ou comer. Seria um vegetal. O casamento estava fadado ao fracasso. Homem nenhum suporta essa barra, ele vai achar outra. “Naquele dia o médico disse que minha vida tinha acabado. Eu tinha perdido tudo”, revela Ana. A paralisia foi consequência de um erro na hora do parto. Antes dos 7 meses de gestação, ela teve sangramentos e perdeu muita água, a consequência foi o nascimento prematuro. A cesariana foi muito difícil e o bebê demou para respirar em seus primeiros momentos de vido. Isso afetou a parte motora de Dênis e mudou pra sempre a vida de Ana.

“A partir dali, foram só vitórias, cada movimento, cada palavra”, diz Ana. Ela passou a se dedicar inteiramente as necessidades do filho e, quatro anos após o diagnóstico, foi até Boston realizar uma bateria de exames para descobrir quais  eram as reais possibilidades de Dênis. Ela voltou para São Paulo decidida a matriculá-lo em uma escola comum. Para sua surpresa, ele não foi aceito em nenhuma das instituições. Alfabetizar uma criança que não pode escrever parecia uma missão impossível. Ana. Ela pesquisou as opções e decidiu abandonar tudo no Brasil e se mudar para Hungria, onde há uma sistema de educação preparado para alunos especiais. Antes da viagem, ela descobriu que no Graac a situação era um pouco melhor e conseguiu uma vaga. Resolveu apostar no Brasil. Continue reading »

mai 26, 2011

Pode um gay governar seu povo?

A História mostra que não há qualquer relação entre sexualidade e a grandeza moral de um homem. Neste momento em que o Supremo formaliza o direito à união civil entre pessoas do mesmo sexo, é uma boa oportunidade para lembrar que, também, não existe relação alguma entre opção sexual –hétero, bi ou homo—  e competência profissional, ou coragem, bondade, honestidade.

Por Hugo Studart
Alexandre da Macedônia, por exemplo, era gay assumido. Em Roma, Júlio César era bissexual. Imperadores Otávio e Adriano eram homo. São Paulo de Tarso resistia a um “espinho na carne”. Não há como questionar a competência e coragem de nenhum deles. Ou a grandeza moral de Paulo e de Adriano.

John F. Kennedy, por sua vez, era um hétero promíscuo, Pedro I idem. Dom Pedro II era quase casto. JK era um boêmio. O sedutor Bill Clinton foi muito melhor como imperador do que o monogâmico George W. Bush. Napoleão manteve inúmeras, mas só amou duas. Bin Laden era poligâmico. Gandhi gostava de dormir nú, cercado de jovens “sobrinhas”, igualmente nuas em pêlo.

Heterossexuais, casados e com filhos, os ditadores Stalin, Pol Pot, Saddam Hussein, Augusto Pinochet, Emilio Médici. Por outro lado, solteiros e sem filhos: Hitler, Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama…

A conclusão é que a opção sexual ou o estado civil não significa nada, não é nada mesmo! Não há lógica alguma em relacionar sexualidade com política, por exemplo.

Tarefa perdida, quase tanto quanto comparar os alcóolatras (Churchill e, diz o New York Times, nosso Lula) com os abstêmios (Hitler); os pequenos (Gandhi) com os grandes (Idi Amin); os brancos (Mussolini) com os negros (Mandela); os tarados (Kennedy) com os fidelíssimos (Ernesto Geisel).


TEORIA DA LIBERDADE

Ora, então porque os homossexuais foram tão perseguidos ou discriminados ao longo da história? Se a sexualidade não tem nada a ver com coisa alguma deste mundo, por qual razão ainda há 51 países do mundo que prendem cidadãos por sua opção sexual, e outros 08 países que os condenam à morte? Continue reading »

fev 28, 2011

O segredo dos índios mercenários

Por Lucas Figueiredo
(Publicado originalmente na GQ)

Sob um céu grande angular de nuvens pesadas, o território brasileiro dá um nó – o Norte se encontra com o Nordeste; a Amazônia lambe o Cerrado e três Estados dividem fronteiras (Pará, Maranhão e Tocantins). Talvez nenhum outro lugar do país seja tão indicado para guardar um segredo, sobretudo segredo grave como este. Naquele rincão perdido, quatro décadas atrás, teve lugar um dos episódios mais obscuros da história do Brasil: a transformação de índios em mercenários de guerra do Exército.

Agora, o segredo acabou.

Suruís: guias dos militares durante a Guerrilha do Araguaia

Em quatro meses de investigação, GQ reuniu provas que mostram que, no início dos anos 1970, no governo do general-ditador Emílio Garrastazu Médici, a Força Terrestre fez de pacíficos índios Aikewara – da aldeia Suruí Sororó, no Pará – máquinas de caçar e matar homens. Na aldeia, a reportagem localizou e entrevistou índios que confirmaram terem sido cooptados pelo Exército, por meio de tortura,alegam eles, para dar apoio às campanhas contra a Guerrilha do Araguaia. GQ também obteve cópia de um relato pessoal de um militar da reserva que participou das operações em que ele afirma que, na caçada humana, os índios mercenários não se limitaram a matar. Cortavam cabeças. Era a prova que o Exército exigia do dever cumprido. Exigia dos índios e dos camponeses que também se engajaram nesse serviço.A história já começa acelerada. Desde tempos imemoriais, a vida dos Aikewara é um constante fugir. Primeiro, fugiam da perseguição de índios inimigos. Depois, fugiam de massacres praticados pelos brancos e do risco de extinção. Agora, tentam fugir do passado.Foi correndo de seus primeiros algozes, os Kayapó Xicrin, no início do século XX, que algumas centenas de Aikewara chegaram ao sudoeste do Pará, a cerca de 100 quilômetros de Marabá. Era uma área de mata tropical fechada, com poucos rios, mas caça abundante. Por ali ficaram. Com a palha das palmeiras, construíram ocas redondas, e com o arco e flecha caçaram macacos, veados, caititus (animal parecido com o javali), tatus e cotias. A ração diária era complementada com o que conseguiam coletar (jabutis, peixes, castanha) e plantar (mandioca, batata doce, milho e banana). Quando não estavam cuidando do sustento, costumavam de ficar, todos juntos, numa tenda armada no centro da aldeia, a taquapucu, onde passavam horas pintando o corpo com tintas obtida do jenipapo e do urucum. Entre agosto e setembro, dançavam o Saporahái, evocando seu herói mítico, Mahyra, pai do sol e da lua. Não existia disputa de poder na aldeia, já que os caciques se sucediam em linha hereditária. Nas relações afetivas, viam com simpatia o casamento entre primos e de tios com sobrinhos, e não era condenável um homem se servir de mais de uma mulher e vice-versa. Não contavam a idade, porque isso não era importante.

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mar 26, 2010

Boaventura e a redescoberta democrática do trabalho e do sindicalismo

Anotações sobre as ideias do sociólogo Boaventura de Sousa Santos a respeito da necessidade de redescoberta do sindicalismo, expostas no livro  “A Gramática do Tempo”, vol. 4, cap. 11 (Disciplina: Globalizações Alternativas e a Reinvenção da Emancipação Social; Doutorado em Globalizações e Cidadania, do Centro de Estudos Sociais/Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal)

Professor Boaventura de Sousa Santos, com Hugo Studart, em momento de descontração em uma taverna em Coimbra, Portugal: gratidão ao grande mestre por ter me aceito como investigador do CES e como aluno-ouvite de seu último curso antes de se aposentar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A redescoberta democrática do trabalho e do sindicalismo”

A idéia central do capítulo é a de que a redescoberta democrática do trabalho é condição sine qua non da reconstrução da economia como forma de sociabilidade democratica. A premissa apresentada é a de que o trabalho está perdendo a importância como fator de produção, portanto, tornou-se problematica que o trabalho possa hoje sustentar a cidadania.

As soluções propostas são:

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