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abr 22, 2013

Éramos tão jovens, como poderíamos saber que o Renatinho, mais um dentre tantos, viria a se transformar no Renato Russo?

Como poderíamos saber que plantávamos as sementes de belas árvores que germinariam no futuro? Como poderiamos imaginar que todas aqueles agitos culturais que produzíamos terminariam por criar uma nova forma de resistência política? Como poderíamos supor que nossas noites em acampamentos, sempre com fogueira, poesia e violão, estaria ajudando a criar os fundamentos do movimento ecológico que só eclodiria 20 anos depois? Se já é difícil analisar o passado e compreender o presente, é quase impossível prever o futuro. O futuro nos pertenceria, mas não tínhamos a menor consciência disso. Éramos tão jovens…

Por Hugo Studart

Esta é a imagem de um acampamento. Identifiquei-me dentro dela: o cara à direita, sentado num banco, de camisa listrada. É provável que a fotografia tenha sido tirada em 1980, talvez 1981. Foi publicada no jornal Correio Braziliense deste domingo, 21 de abril, na capa do caderno Diversão&Arte. Trata-se de uma das ilustrações da reportagem sob o título de “Éramos tão jovens”, sobre fotografias perdidas do cantor Renato Russo e da turma de estudantes que gravitava entre as agitações culturais da Universidade de Brasília e os acampamentos nas muitas cachoeiras perto de Brasília.

Esta foto mexeu com minhas memórias sobre um tempo cujo “futuro já não era como antigamente”. Um tempo passado cujas sombras projetam-se sobre nosso próprio tempo presente. Explico e justifico:

Éramos muitos os jovens, centenas somente entre os estudantes da UnB, milhares se considerarmos os jovens de outras universidades que vez por outra se encontravam nas festinhas ou eventos culturais daquele tempo. Eu era um deles. Um figurante anônimo dentro de um contexto maior. Tão figurante quanto a figura do jovem sem rosto e de camisa listrada que aparece do lado direito dessa foto. Mas eu cumpria meu papel naquele contexto.  Tentava militar no movimento estudantil na esperança de deixar algum legado àqueles que vinham atrás. Continue reading »

mar 8, 2013

Uma breve história da longa luta pela liberdade das mulheres

Desde  Julia, a heroína do romance de Rousseau, até a SlutWalk, a Marcha das Vadias, há pelo menos 250 anos as mulheres vêm lutando por direitos óbvios como o da livre escolha afetiva, o divórcio, a igualdade laboral e o direito de votar. No islã, mulheres ainda são apedrejadas em nome de Allah; na África, 150 milhões sofreram extirpação clitoriana; na Índia, um cotidiano de estupros e casamentos arranjados; na China, 240 milhões de meninas recém-nascidas foram assassinadas nos últimos 30 anos. Equivale a 40 Holocaustos. Mesmo em nosso Ocidente pós-moderno e globalizado, perduram incrustradas a misogenia e a violência doméstica. No Brasil, a Lei Maria da Penha já enquadrou mais de 300 mil agressores. Há algo errado mesmo nas sociedades onde, acredita-se, há pelo menos duas gerações as mulheres teriam alcançado a emancipação plena

EUA, 1910: quando as mulheres lutavam pelo direito ao voto e à igualdade laboral com os homens

por Hugo Studart

Em meados do Século XVIII as mulheres não valiam quase nada em toda e qualquer parte do mundo. Até que Jean-Jacques Rousseau causou frisson por toda Europa com um romance, Julia — ou A Nova Heloísa (1761), no qual a heroína provocou emoções e conquistou a empatia dos leitores em sua busca pelo direito de livre escolha afetiva, dando início à discussão sobre a emancipação da mulher e ajudando a pavimentar o caminho para aquilo que, anos mais tarde, ficou conhecido pela expressão Direitos Humanos.

O subtítulo do romance, ou A Nova Heloísa, referia-se à uma das mais conhecidas e dramáticas histórias de amor do cantadas pelos narradores medievais, Abelardo e Heloísa, no qual uma jovem de boa estirpe apaixona-se por seu professor, um filósofo e clérigo católico. Aos 17 anos, Heloísa entrega-se de corpo e alma a Abelardo, 37. Pelo ponto-de-vista daquele tempo, Abelardo seduziu a pura e inocente Heloísa. O romance é descoberto, os amantes passam a se encontrar escondidos nos locais mais inusitados –até mesmo nas sacristias – têm um filho, casam-se escondidos e, por fim, Abelardo é punido pelo tio da jovem com a castração. Envergonhado, interna-se num mosteiro e pede que Heloísa faça o mesmo, num convento.

Viam-se diariamente, mas nunca mais se tocaram. Nem mesmo trocaram palavras orais. Contudo, dedicam a vida a trocar lindas cartas de amor, nas quais Heloísa expressava toda a sua dor pela triste sorte do seu amor, como também sua revolta pelo destino – prisioneira em um hábito religioso que lhe escondia todo o corpo, e de um véu a cobrir a cabeça para lhe emprestar o recato que não tivera antes. Abelardo morre no ano 1142, aos 63 anos; Heloísa viveria mais 20 anos. A seu pedido, foi sepultada ao lado de Abelardo. Suas trágicas histórias permaneceram vivas. Suas cartas, continuam inspirando ousadia às jovens que porventura precisem dar vazão aos desejos de liberdade afetiva. Seu véu e hábito religiosos, símbolos maiores do cárcere sexual ao qual foi submetida, mantêm-se desfraldados na maior parte das sociedades humanas. Seus túmulos, no Cemitério de Pére Lachaise, Paris, são locais de romaria de amantes apaixonados. Continue reading »

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