Castoriadis, o Imaginário e as teorias marxistas

Um dos pontos interessantes do pensamento de Cornelius Castoriadis, um dos mais reconhecidos filósofos dos estudos do Imaginário e das Representações na Teoria da História, é quando ele contrapõe a análise do imaginário à teoria marxista. Ele lembra que, a despeito do que escreveram os teóricos marxistas sobre a história e a evolução inexorável da humanidade para a igualdade e o socialismo universal, o imaginário das nações se revela “mais sólido do que todas as realidades, como mostras duas guerras mundiais e a sobrevivência dos nacionalistas”. Ele argumenta:

“Os marxistas atuais, que acreditam eliminar tudo isso dizendo simplesmente, ‘o nacionalismo é uma mistificação’, evidentemente se auto-mistificam. Que o nacionalismo seja uma mistificação, não resta dúvida. Que uma mistificação tenha efeitos tão maciçamente e terrivelmente reais, que ela se mostre muito mais forte do que todas as forças ‘reais’ (inclusive o simples instinto de sobrevivência) que ‘deveriam’ ter impelido há muito tempo os proletariados a uma confraternização, eis o problema. Dizer – ‘prova de que o nacionalismo era uma simples mistificação, por conseguinte alguma coisa de irreal, é que ele se dissolverá no dia da revolução mundial’, não é somente cantar vitória antes da hora, é dizer: ‘Vocês, homens que viveram de 1900 a 1965 e quem sabe até quando ainda, e vocês os milhões de mortos de duas guerras, e todos os outros que sofreram com isso e são solidários – todos vocês, vocês inexistem, vocês sempre inexistiram aos olhos da verdadeira história; tudo o que vocês viveram foram alucinações, pobres sonhos de sombras, não era a história. A verdadeira história era esse virtual invisível que será e que, traiçoeiramente, preparava o fim de vossas ilusões’. Esse discurso é incoerente, porque nega a realidade da história da qual participa e porque ele convoca por meio irreais esses homens irreais a fazerem uma revolução real”.



 

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