Autor: studart

Vergonha de ser honesto

 “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar  da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser  honesto“. (Rui Barbosa – Senado Federal, RJ. Obras Completas, v. 41, t. 3, 1914, p....

Read More

“O IMAGINÁRIO DOS MILITARES NA GUERRILHA DO ARAGUAIA”

Dissertação de Mestrado em História, defendida em 11 de abril de 2005, dentro do Instituto de Ciências Humanas da Universidade de Brasília, e na linha de pesquisa Discurso, Imaginário e Cotidiano, tendo como orientadora a professora Cléria Botelho da Costa, e como membros da banca examinadora as professoras Diva Couto Muniz e Márcia Martins Kuyumjian, do Departamento de História da UnB, e o professor José Geraldo de Sousa Júnior, do Departamento de Direito da UnB. Posteriormente, a dissertação foi revista e ampliada para publicação em livro, com o título de “A Lei da Selva” (Geração Editorial, 2006), tendo sido agraciado no Prêmio Herzog de Direitos Humanos e como finalista do Prêmio Jabuti. Introdução   Este trabalho examina fatos históricos ocultados pelas pretensas razões de Estado, por meio de mentiras deliberadas, de violações de normas jurídicas, morais e políticas. Foi nos tempos do Estado autocrático implantado no Brasil a partir de 1964, que ocorreu uma insurreição armada no coração das selvas amazônicas, episódio da nossa história que ficou conhecido como a Guerrilha do Araguaia. Especificamente, tem o propósito de trazer à luz elementos que possam vislumbrar o imaginário dos militares na Guerrilha do Araguaia. A preocupação é analisar o significado dos conflitos do Araguaia sob a ótica dos militares brasileiros, assim como interpretar seus sistemas de representações à luz de um quadro teórico e dos valores da época. Trata-se de algo...

Read More

A queda do Barão da Bahia

ÂNGELO CALMON DE SÁ era o último remanescente da velha aristocracia educada na Suíça. A débâcle de seu banco, sob churrio público, representou a tomada por completo do poder econômico e político dos emergentes, outrora denominados noveaux-riches   Por Hugo Studart (Publicada originalmente pela revista Interview) Duas mil orquídeas, mil antúrios híbridos e quinze galerias de tapetes persas espalhados pela nave do Mosteiro de São Bento ainda emprestaram uma certa suntuosidade merecida ao acontecimento. Foram despachados 2.600 convites e, pelo calor humano denunciado nas maquiagens de algumas baroas, é provável que ninguém tenha faltado. O trânsito do Centro Histórico de Salvador foi desviado para dar vazão aos tilburis turbinados. Fora do templo, um enxame de mulambos desandava a aplaudir a noiva, linda como princesa, e se acotovelava para tirar uma lasquinha daquele que prometia ser um bolodório retado. Mas a recepção, na casa da donzela, foi o primeiro sinal exterior de que algo de bodoso estava ocorrendo no bolso do paizão. Para começar, havia apenas 750 convivas e uma renca de quase 2 mil barrados. O salmão chileno foi servido com regulagem espaçosa e o caviar era norueguês, dos baratos, desses de 250 dólares o quilo. Uísque, somente oito anos, John Walker Red Label, o mais óbvio, e o vinho era adocicado, Liebfralmilch, ideal para bárbaros alamanos. Ainda houve uma certa concessão na primeira rodada de champanhe, Veuve Cliquot,...

Read More