Autor: studart

Eis o novo Gabeira, um transgressor quase conservador

Fernando Gabeira vem construindo há 40 anos uma biografia de transgressor. Primeiro, lá pelos tempos do regime militar, abandonou a vida burguesa e caiu na clandestinidade da guerrilha urbana –sua maior façanha, vale sempre lembrar, foi participar do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969. De volta do exílio com a Anistia de 1979, chocou o país (e principalmente a esquerda ortodoxa) ao fazer a crítica e a autocrítica da luta armada, vestir uma tanguinha e começar a pregar a política do corpo. Ontem, 5 de outubro 2008, Gabeira voltou a transgredir. Lula tinha nada menos que três candidatos com chances de virar prefeito do Rio de Janeiro – Eduardo Paes, Marcelo Crivella e Jandira Feghali. Gabeira, apesar do seu partido, o PV, estar na base aliada, não era um deles. Pois Gabeira surpreendeu na reta final. Na política pós redemocratização, esse político já foi petista, transformou-se em fundador do Partido Verde, voltou ao PT e está de novo no PV – parece que, agora, para sempre. Com quatro mandatos de deputado federal, sempre pelo PV do Rio de Janeiro, é um notório militante das causas ambientalistas, defensor do casamento gay e da legalização do consumo da maconha –só que, agora, recuou para a legalização com nuances. Enfim, aos 68 anos, duas filha adultas, Gabeira continua buscando os limites da transgressão. Em maio de 2007, eu e o jornalista Rudolfo Lago fizemos uma longa entrevista...

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Entre a Esperança e a tragédia de Prometeu

E o homem é feito de carne, que vive, morre, apodrece e volta a ser pó. Mas carrega ao mesmo tempo uma alma que acredita ser infinita e imortal. É nossa alma que nos faz recordar o passado e sonhar com o futuro. O homem é, definitivamente, o maior paradoxo da Criação, um ser que existe simultaneamente em espírito e em carne, que constrói e destrói, que vive ao mesmo tempo no passado, no presente e no futuro. Sonhadores, idealistas e aventureiros. Ativistas, missionários e voluntários. Conquistadores, inventores e empreendedores. Existem seres que atravessam a existência na Terra tomados de Esperança. Poetas do futuro. Pois desde que os primeiros deles saíram às portas das cavernas e começaram a olhar em direção ao horizonte, imaginando o que poderia haver do outro lado da montanha, esse punhado de homens só desejava uma coisa – controlar o Destino. Em outras palavras, esse grupo de homo sapiens atravessou a vida tentando controlar o Acaso a fim de tecer a trama da própria história nessa breve passagem pela Terra. E são eles que, de alguma forma, com idas e vindas, luzes e trevas, vêm construindo dois projetos tão belos quanto catastróficos. O primeiro é um projeto chamado Humanidade. O outro é a Civilização. É bem provável que o Sr., prezado leitor, seja um deles. Caso contrário não estaria lendo estas linhas. Sonhador ou ativista,...

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Éramos tão jovens, como poderíamos saber que o Renatinho, mais um dentre tantos, viria a se transformar no Renato Russo?

Como poderíamos saber que plantávamos as sementes de belas árvores que germinariam no futuro? Como poderiamos imaginar que todas aqueles agitos culturais que produzíamos terminariam por criar uma nova forma de resistência política? Como poderíamos supor que nossas noites em acampamentos, sempre com fogueira, poesia e violão, estaria ajudando a criar os fundamentos do movimento ecológico que só eclodiria 20 anos depois? Se já é difícil analisar o passado e compreender o presente, é quase impossível prever o futuro. O futuro nos pertenceria, mas não tínhamos a menor consciência disso. Éramos tão jovens… Por Hugo Studart Esta é a imagem de um acampamento. Identifiquei-me dentro dela: o cara à direita, sentado num banco, de camisa listrada. É provável que a fotografia tenha sido tirada em 1980, talvez 1981. Foi publicada no jornal Correio Braziliense deste domingo, 21 de abril, na capa do caderno Diversão&Arte. Trata-se de uma das ilustrações da reportagem sob o título de “Éramos tão jovens”, sobre fotografias perdidas do cantor Renato Russo e da turma de estudantes que gravitava entre as agitações culturais da Universidade de Brasília e os acampamentos nas muitas cachoeiras perto de Brasília. Esta foto mexeu com minhas memórias sobre um tempo cujo “futuro já não era como antigamente”. Um tempo passado cujas sombras projetam-se sobre nosso próprio tempo presente. Explico e justifico: Éramos muitos os jovens, centenas somente entre os estudantes da UnB, milhares se considerarmos os jovens de outras universidades que...

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